Veiga acusa políticos de divulgar fitas sobre privatização mas não diz nomes
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domingo, 30 de maio de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 31 (AE) - O ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, acusou hoje políticos que classificou como "impatrióticos" de estar por trás da divulgação das fitas envolvendo o presidente Fernando Henrique Cardoso na privatização da empresa Telecomunicações Brasileiras (Telebrás). "Temos de denunciar os maus brasileiros, políticos que colocam o patriotismo em segundo lugar, em nome de interesses próprios e mesquinhos", disse o ministro a empresários reunidos hoje na Associação Comercial do Rio.
Mais tarde, a jornalistas, apesar da anunciada intenção de denunciar esses maus políticos, Veiga não quis revelar de quem estava falando. "Não vou dar nomes e nem é necessário", afirmou. "Foi uma radicalização da área política." Na semana passada, fontes do Palácio do Planalto estavam atribuindo o vazamento de novas gravações ao ex-senador Gilberto Miranda (PFL-AM), também apontado como envolvido no dossiê Cayman - e, no governo, ninguém acredita ser coincidência o aparecimento das fitas uma semana depois de o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros, ter sido eleito vice-presidente nacional do PSDB para Assuntos de Política Econômica com um discurso desenvolvimentista e críticas ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, apoiado pelo PFL.
"Esses políticos não querem deixar que o País mude de patamar", afirmou o minsitro. Segundo ele, o desenvolvimento vai fazer com que o Brasil volte a crescer e o governo recupere altos índices de popularidade. "Isso tem preocupado alguns setores, que buscaram, com isso, radicalizar a ação política, chegando a soluções absolutamente exorbitantes e esdrúxulas", afirmou.
O ministro defendeu a apuração imediata do caso do grampo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "É indispensável que a Polícia Federal (PF) conclua rapidamente a apuração dos fatos porque não é mais possível que isso perdure na névoa, na bruma que está hoje", apontou. "É preciso que o Brasil saiba quem produziu esses fatos criminosos, que foram usados por alguns de forma irresponsável."
A disputa interna entre a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a PF - que suspeita que os autores do grampo são agentes da primeira - não pode continuar exposta nas páginas do jornais, segundo o ministro. "É inadmissível que, dentro do governo, existam disputas públicas", afirmou. "É possível que haja divergências, que opiniões sejam contraditórias, e elas devem ser discutidas no âmbito interno e não publicamente."
O recado serviu também para a briga entre os ministros da Previdência, Waldeck Ornélas, e da Saúde, José Serra. "O presidente da República haverá de dirimir todas as dúvidas que haja dentro do governo e eu não tenho dúvida de que ele agirá com a energia necessária para concluir qualquer disputa", disse Veiga. Ele afirmou que a idéia da oposição de fazer uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a atuação do presidente no leilão da Telebrás não tem fundamento. "Essa iniciativa é disparatada e demagógica e não resiste ao mais superficial exame", garantiu.


