São Paulo, 27 (AE) - Os importadores da Jaguar, uma das marcas de carro mais chiques do mundo, resolveram negociar a sua própria cotação de dólar com os clientes. "Estamos aceitando fazer negócio com cotação de R$ 1,55", disse o diretor superintendente da Jaguar Car, Paulo Fernando Negrão Marques, ontem, dia em que o dólar chegou a R$ 1,96.
Os vendedores das marcas de luxo já sentem saudades do tempo, não muito distante, em que se dizia que para o rico alteração de preço não faz diferença.
Acontece que desta vez, a diferença ficou muito grande. Um carro que custava R$ 163.350 há pouco mais de uma semana - o modelo mais simples da Jaguar - teve o preço elevado para R$ 256.500 em razão da variação cambial.
Desde a súbita desvalorização do real a Jaguar não vendeu nenhum carro no Brasil. A média de vendas se manteve em 10 veículos por mês até outubro. Caiu para cinco em dezembro. Mas os representantes da marca ainda não se abalaram com isso por saber que podem contar com a clientela cativa, de altíssimo poder aquisitivo.
"Nosso cliente costuma ser um grande investidor e tem muitas informações. Por isso, ele está à espera do que vem por aí porque o governo está sinalizando que a cotação do dólar pode baixar", destaca Marques.
Como num banco, o cliente que compra carros que custam entre US$ 135 mil e US$ 180 mil entra na loja, toma um café e fala de economia. "Nossos clientes estão dando um tempo ou para ver quanto vão ganhar nas aplicações ou para tentar recuperar o que perderam", completa Marques.
Muitos dos compradores de carros de mais de US$ 100 mil também estão na lista dos que perdem o sono porque fizeram financiamento atrelado ao dólar. Num plano de 24 meses médio a prestação saltou de R$ 3,8 mil para quase R$ 6 mil. Também esses consumidores estão recorrendo à negociação com os bancos para esticar o prazo ou obter juros mais baixos. A Jaguar vendeu no Brasil no ano passado 96 veículos, 20% mais do que em 1997.
Segundo Marques, tudo indicava a venda de 110 unidades este ano. Mas as projeções foram abandonadas por enquanto. A preocupação agora se concentra no lançamento do S-Type, um carro que custa US$ 95 mil, que será lançado no segundo semestre. Com este modelo, a marca inglesa pretendia atingir consumidores de uma faixa de poder aquisitivo ligeiramente abaixo da que atende hoje.

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