São Paulo, 13 (AE) - Os importadores de veículos seguraram a cotação do dólar no mês passado e conseguiram registrar um aumento de 73,5% nas vendas em comparação com fevereiro. Representantes do setor - que também foi beneficiado pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em vigor desde o dia 4 de março - informaram hoje, entretanto, que a partir de maio muitas marcas passarão a oferecer produtos pela cotação diária da moeda americana.
Em março, as empresas que não têm fábricas no País operaram com cotações médias entre R$ 1,21 e R$ 1,60. As vendas totalizaram 3.206 unidades, ante as 1.847 do mês anterior. Em relação a março de 98, houve queda de 44,4%. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva), José Luiz Gandini, há cerca de 15 mil carros nos portos do País que serão nacionalizados pelo dólar atual.
"Não temos margem para bancar 40% de defasagem cambial", disse Gandini. Ele afirmou que, a partir de fevereiro
os importadores tiveram de promover "um enxugamento drástico" nas operações para trabalhar com a cotação abaixo do mercado. Só a Kia Motors, empresa que ele também preside, reduziu seu quadro de pessoal em 25%, mantendo hoje 120 funcionários.
Algumas empresas, como as coreanas Daewoo e Daihatsu, já estão oferecendo os modelos Lanos e Terius pela cotação do dia. Os demais veículos da marca continuam com taxas de conversão a R$ 1,21.
A Kia Motors está mantendo a cotação de R$ 1,39 para vários modelos, entre eles o recém-lançado Shuma, mas o próximo lançamento da marca, o Carnival, chegará a R$ 1,45. Gandini aposta que até o fim de maio o dólar deverá se estabilizar em cerca de R$ 1,60.
No primeiro trimestre, as vendas de importados somaram 7.968 veículos, 40% a menos do que em igual período do ano passado. Gandini prevê que o setor fechará o ano com vendas de 50 mil unidades, 15 mil a menos do que o previsto.
A Abeiva, disse Gandini, vai voltar a negociar com o governo a manutenção da alíquota de 23% para o Imposto de Importação de produtos comprados fora do Mercosul. A partir do ano 2000, a alíquota passaria para 35%. "Não tem mais sentido manter esse índice porque, com o dólar no nível em que está, não haverá explosão de importações", disse o executivo.

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