Bebedouro, SP, 12 (AE) - O Museu de Armas, Veículos e Máquinas Eduardo André Matarazzo, em Bebedouro, na região de Ribeirão Preto (SP), atrai turistas da região e até do exterior. O local, que pertence à prefeitura, é aberto ao público, gratuitamente, de quarta-feira a domingo, das 8 às 17 horas, e mostra algumas raridades de carros, aviões, trens e equipamentos antigos que foram comprados ou doados a Eduardo Matarazzo. Ele preside e empresta o nome ao museu. Fotografias e filmagens são proibidas.
Eduardo, de 67 anos, é filho de Francisco Matarazzo Júnior, um dos 13 filhos do imigrante italiano Francisco Matarazzo, que chegou ao Brasil aproximadamente em 1887, vindo da província de Salerno. Em sua juventude, ele foi um aventureiro em provas automobilísticas. Nunca venceu, é verdade. Mas ali deu-se a origem de seu sonho: o de preservar várias máquinas e deixá-las como um patrimônio às gerações futuras. "Sempre gostei de automobilismo e comecei a restaurar alguns veículos; a coleção foi aumentando e surgiu o interesse do público em vê-los", recorda.
A maioria dos moradores de Bebedouro, que ainda tenta sustentar o rótulo de Capital da Laranja, conhece o local por Museu do Automóvel, criado no fim dos anos 60. Eduardo Matarazzo não confirma a data com precisão, mas calcula que foi aberto ao público em 1968. O fato curioso é que, até 1967, Eduardo morava em São Paulo (onde presidiu, em 1953 e 1954, a seção do Automóvel Clube do Brasil). O museu, afirma Eduardo, é uma sociedade civil sem fins lucrativos.
A visitação aumentou e, atualmente, cerca de 3 mil pessoas frequentam o local, buscando o resgate da história, como observar o antigo avião da Varig (prefixo PP-VBK) que trouxe a seleção brasileira campeã do mundo em 1958, na Suécia, com Pelé, Garrincha, Didi, Zagallo e companhia. Ele está exposto na área externa do museu, junto com outros sete aviões - outros dez, menores, estão dentro do pavilhão, amparados por colunas de alvenaria.
Outro avião raro é um sueco, Scandia Saab (prefixo PP-SQR), único do modelo no mundo. A aeronave está ao lado do da Varig e sob a guarda de Eduardo há alguns anos, pois um museu de São Paulo não tinha espaço para expô-lo. O avião foi doado para um museu do Rio de Janeiro, que ainda não foi buscá-lo. O governo sueco teria interesse em levá-lo para a Europa.
Vasp, Varig e Ministério da Aeronáutica doaram alguns modelos antigos. Outra aquisição do museu de Bebedouro, que tem uma filial em Antonina (PR), há quatro anos, com 23 carros, é um helicóptero usado na década de 50 durante a guerra no Congo. O helicóptero está parcialmente restaurado (sem a hélice, por exemplo), o que é feito normalmente na oficina da Fazenda Santa Cruz, onde Eduardo mora. Ele é produtor de laranja e café e pecuarista. Raridade - A maior raridade de Eduardo, segundo ele mesmo, é um carro Peugeot 1904, que está em Antonina. Em Bebedouro, estão expostos cerca de 130 automóveis, não exatamente do ano de sua fabricação: Studebaker 1951, Cadillac 1950, Jaguar 1952 (réplica de um campeão cinco vezes em Le Mans, na França), Morris 1952, Jeep Land Rover 1951, Citr”en 1955 e Alfa Romeo 1947 (fabricado para corridas longas, como a Mil Milhas da Itália).
Diante das preciosidades sobre rodas deste século, o visitante sente duas carências: muitos veículos ainda não têm identificações (procedência, nacionalidade, características) e não há um monitor para prestar informações. Entre os veículos identificados, está um Packard 1947, uma limusine executiva que já transportou os ex-presidentes Getúlio Vargas, Eurico Gaspar Dutra, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e Castelo Branco, doada pelo governo da Paraíba. Um Lincoln conversível, de 1941, similar aos usados por presidentes, gângsteres e policiais americanos, é outro destaque.
Os saudositas ainda podem conferir de perto: Maserati, Buick Electra, DKW Vemag, Brasinca Esporte Uirapuru e Willis Interlagos, além da primeira Romi-Isetta fabricada no Brasil, em 1955. O modelo do menor carro conhecido, com motor de 9 hp, dois tempos, duas cilindradas, quatro marchas e velocidade máxima de 90 km/h é uma atração à parte. "Participei de uma prova, nos anos 50, de São Paulo a Campos do Jordão, e nenhuma das cerca de 30 Romi-Isettas quebrou", recorda. 2.ª Guerra - Modelos de tratores, trens (uma locomotiva da Usina Amália, de Santa Rosa de Viterbo, que pertenceu à família Matarazzo) e vagões, guindaste férreo, bombas de gasolina manuais, motores, mina marítima, bombas e balas desativadas, canhões de guerra (usados na 2.ª Guerra Mundial), tanque de guerra (usado na 1.ª Grande Guerra), farol, lança torpedo, motos (uma Harley Davidson 1947, com banco acoplado ao lado), karts, máquinas datilográficas e calculadoras, uma linotipo e até uma americana "unidade produtora de água gelada" (uma antiga geladeira, provavelmente industrial), fabricada em 1936.
"Não há limite, qualquer coisa mecânica é válida", avisa Eduardo, que, de vez em quando, ainda dirige um Chevrolet El Camino, de 1974, não disponível no museu. Outra novidade é um anfíbio militar (doado pelo Ministério da Guerra), de 1942, construído pela Ford sob licença da Willis, que, durante a 2.ª Guerra, foi usado nas ilhas do Oceano Pacífico, além de servir o Exército brasileiro nas regiões fronteiriças. As próximas atrações do museu de Bebedouro serão um Chevrolet 1927 e um Aero Willys 1960, um dos maiores sucessos no País.

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