Curitiba- O aumento da frota de veículos em Curitiba, Londrina e Maringá, as três maiores cidades do Paraná, desde o início da década, é maior do que o crescimento da população residente dos municípios citados. Segundo números do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), a cada ano 43.381 veículos a mais são registrados na capital do Estado. Em Londrina, a média de aumento da frota desde 2000 é de 10.465 veículos a mais por ano; em Maringá, são 9.679 veículos a mais a cada 365 dias.
De acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos últimos anos a média de crescimento da população residente de Curitiba foi de 34.924 pessoas a mais por ano; em Londrina, de 8.439 pessoas a mais; e em Maringá, de 6.203 habitantes a mais. Dos cerca de 3,3 milhões de veículos que compõem atualmente a frota do Paraná, pouco menos de 950 mil foram registrados a partir do final de 2000.
Isto representa uma média de aumento da frota do Estado de 210.713 veículos a mais por ano. O diretor-geral do Detran-PR, Marcelo Almeida, afirma que até 1993 a média de crescimento da frota de veículos do Paraná não passava dos 100 mil veículos a mais por ano. ''Proporcionalmente, o aumento da frota no Sul e no Sudeste do Brasil é superior à média das outras regiões do País'', diz o diretor.
Almeida aponta que o grande aumento da frota de veículos do Paraná é causado por dois fenômenos: a queda da qualidade do transporte público nas grandes cidades e a moda das motocicletas e motonetas. ''Elas tiveram um crescimento nas vendas superior ao de outros tipos de veículos. As motocicletas e motonetas são muito procuradas por três motivos: facilidade na compra, a agilidade no trânsito que elas proporcionam e o status. Muita gente pensa que é melhor ter qualquer veículo motorizado do que andar de ônibus'', explica ele.
''Curitiba está crescendo a uma velocidade um pouco acima do que a registrada na década passada, mas não acho que chega a se configurar uma situação tão preocupante como a de São Paulo capital, onde o trânsito é o que é devido ao crescimento vertiginoso que a cidade teve em poucos anos'', comenta Pedro Akishino, professor do Departamento de Transportes do Setor de Tecnologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
''Para amenizar os problemas decorrentes do aumento da frota, é necessário um planejamento de transportes. A poluição vai aumentar, mas talvez não na mesma proporção que o número de veículos, se forem tomadas medidas como exigência da prefeitura de que as empresas concessionárias do transporte público adotem tecnologias menos poluentes. Me parece que (o transporte público) está com um problema de eficiência, aparentemente as pessoas estão achando que compensa mais ir de carro para o trabalho'', diz Akishino.

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