Um fato novo surgiu nas investigações que apuram as causas e a responsabilidade pelo acidente que vitimou o estudante londrinense Lúcio de Souza Pavan, 19 anos, que caiu do ferry-boat na baía de Guaratuba, na madrugada de anteontem. A polícia procura agora um veículo Escort XR3 de cor preta, que também estaria na embarcação na hora do acidente, mas que acabou deixando o local antes da chegada da polícia. A informação foi revelada ontem, durante os depoimentos dos quatro tripulantes da embarcação Nhundiaquara, de propriedade da empresa F. Andreis, que transportava Pavan. O estudante era filho do presidente da Sercomtel, Rubens Pavan.
O delegado Sebastião Gaspar, que preside o inquérito, diz que agora fica a interrogação do por quê que o Escort teria deixado o ferry-boat depois da queda do estudante. Para ele, há a possibilidade de ter acontecido alguma briga que culminou com a queda de Pavan no mar.
Os tripulantes do ferry-boat foram ouvidos na Delegacia de Polícia de Guaratuba. O trabalho começou às 18 horas e até às 20h30 não havia sido encerrado. Lari Rodolfo da Silva, chefe de máquinas do Nhundiaquara, foi o primeiro a ser interrogado. Ele informou que não viu o acidente porque estava na parte de baixo da embarcação, onde não há visibilidade. Daniel Radzinski, piloto e mestre de arraes, também disse não ter presenciado a queda. Os dois não lembram se o cabo de segurança da embarcação estava içado ou rompido, como vem sendo cogitado. A polícia ouviu ainda os marinheiros de convés, João Gilberto Trajano Alves e Jurandir da Luz dos Santos.
Hoje, a polícia ouvirá os seis amigos que estavam com o estudante no ferry-boat. A pedido das famílias, os depoimentos serão coletados na Central da Polícia Civil, em Matinhos. Os jovens estariam traumatizados e, por isso, não gostariam de retornar a Guaratuba, onde o acidente aconteceu. Eles estarão acompanhados de advogados. O horário não foi definido, e a polícia ficará na dependência da chegada do grupo à cidade. Eles irão de Londrina para Curitiba de avião, para depois seguir viagem de carro até o litoral.
A causa da morte de Pavan só poderá ser esclarecida com a conclusão de laudos periciais da embarcação e da necrópsia, que deverão estar concluídos em oito dias.

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