A Petrobras será multada em até R$ 50 milhões pelo vazamento de 26 mil litros de óleo cru da Plataforma P-7, no Campo de Bicudo, na Bacia de Campos, no norte fluminense, ocorrido na última quinta-feira. A decisão sobre o valor da punição será tomada pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) até o fim da próxima semana, segundo informou o diretor de Controle Ambiental do órgão, Humberto Candeias. Uma equipe de técnicos vai elaborar um relatório sobre o acidente, a ser encaminhado à presidência do instituto, que tomará a decisão final sobre o valor da multa.
‘‘Não me arrisco a fazer uma previsão sobre quanto serᒒ, disse Candeias. Ele esclareceu que R$ 50 milhões é o valor máximo para esse tipo de caso. ‘‘Varia em função da causa do acidente, o que significou em termos de displicência da empresa, o que decorreu de causas naturais.’’
Depois de sobrevoar ontem novamente a área do vazamento, Candeias e o coordenador-regional do Ibama no Rio, Carlos Henrique Abreu Mendes, constataram que a Petrobras intensificou as medidas de combate à mancha. Na véspera, representantes do Ibama e da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) consideraram insuficientes a quantidade de barcos, barreiras e lanchas usadas contra o óleo. ‘‘As medidas agora são safisfatórias’’, atestou. Segundo ele, ontem havia três barreiras para coleta de óleo (na quinta, era só uma) e cinco lanchas de dispersão (antes, eram duas). Ao todo, 14 embarcações estão operando no local.
O diretor do Ibama avaliou que a mancha, provavelmente, estará totalmente dispersa hoje. Ela já diminuiu de tamanho: dos 50 quilômetros quadrados da véspera, reduzira-se a cerca de 30 quilômetros. ‘‘Já houve uma certa dispersão e coleta’’, disse Candeias.
‘‘Dos 26 mil litros, há de 7 mil a 10 mil litros no mar; cerca de 16 mil a 20 mil litros já foram coletados ou dispersos.’’ Segundo ele, a mancha continua em alto-mar, a mais de 100 quilômetros da costa, e deve continuar assim, se permanecerem as atuais condições climáticas e de mar.
Candeias disse que o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, determinou que seja preparado um plano de contingência para toda a Bacia de Campos, de onde sai 80% do petróleo extraído no Brasil. A região tem 40 plataformas. ‘‘Atualmente, cada plataforma tem, basicamente, o seu plano’’, afirmou.
A Petrobras informou ontem que a P-7, que produz 15,6 mil barris diários, voltará a operar hoje ou, no máximo, amanhã. Ontem, 96 pessoas já estavam a bordo. Imediatamente após o acidente de ontem, foram retirados 106 trabalhadores dos 143 que estavam no local.

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