Vazamento na baía foi de 1,292 milhão de litros
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2000
Por Adriana Ferreira e Clarissa Thomé 
Rio, 21 (AE) - O vazamento de óleo na Baía de Guanabara, na terça-feira, foi duas vezes e meia maior do que o inicialmente anunciado pela Petrobras. A empresa reconheceu hoje que foram despejados na baía 1,292 milhão de litros de óleo. O acidente é o segundo maior ocorrido na história - em 1975, o navio Tarik derramou 6 milhões de litros de óleo bruto na baía.
Depois de sobrevoar a área atingida pelo óleo, o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, disse que vai orientar o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Não Renováveis (Ibama) a multar a empresa em R$ 50 milhões - multa máxima prevista pela Lei de Crimes Ambientais. O ministro não descartou o pedido de prisão da diretoria da estatal. "Todas as possibilidades que estão na lei serão consideradas", afirmou Sarney Filho. As declarações foram feitas na presença do presidente da Petrobras, Phillip Reichstul.
O presidente Fernando Henrique Cardoso cobrou maior investimento da Petrobras em segurança, para evitar novos vazamentos. "No Rio houve um espetáculo triste", afirmou o presidente. Segundo ele, é necessário que a estatal dê prioridade ao atendimento à população, para depois cuidar do meio ambiente. "Foi um espetáculo triste, de antivida", disse.
Sobrevôo - Sarney Filho defendeu a multa máxima depois de sobrevoar as áreas mais atingidas pelo óleo. "É preciso aguardar o laudo técnico que avalia os danos ambientais, mas, pelo que vi hoje, acredito que a multa de R$ 50 milhões seja adequada". A maior sanção aplicada até hoje foi de R$ 10 milhões a uma empresa que queimou e desmatou mais de 20 mil hectares.
O presidente da Petrobras, Phillip Reichstul, anunciou o vazamento de 1,292 milhão de litros como uma "má notícia", mas garantiu que o número é definitivo. Segundo o presidente da estatal, houve grande vazamento pelo canal em frente à Refinaria Duque de Caxias (Reduc).
Ibama - "A situação que encontramos é muito pior do que eu achava que fosse", afirmou a presidente do Ibama, Marília Marreco, que sobrevoou a área com Sarney Filho. Ela vai integrar
com outros órgãos municipais, estaduais e a Petrobras, uma comissão "interinstitucional", formada a pedido do ministro, para estudar como conter a mancha de óleo, que continua avançando e ultrapassou a área de 50 quilômetros quadrados.
Ajuda - Sarney Filho convocou uma reunião do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), para discutir a prevenção de vazamentos em refinarias de petróleo. "Acidentes como esse não podem se repetir", disse. Se não conseguir conter os danos ao meio ambientes provocados pelo vazamento - pelo menos 150 mil litros de óleo já foram recolhidos por dragas da Petrobras -, o ministro disse hoje que vai pedir ajuda ao Organismo Marítimo Internacional da Organização das Nações Unidas (ONU). "Eles têm mais experiência nessa área", justificou Sarney Filho.
Outra ajuda internacional partiu do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O representante do banco no País, Jorge Elena, reuniu-se hoje com o governador Anthony Garotinho e anunciou que vai liberar recursos dentro do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG) e acertou a vinda de especialistas americanos em meio ambiente."Vamos incluir, na segunda etapa do PDBG, uma verba a mais para combater o efeito desse acidente", afirmou Elena.
O presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, deputado Carlos Minc (PT), informou que o Ministério Público Estadual (MPE) havia acatado representação da Comissão de Meio Ambiente, que pedia abertura de inquérito criminal contra a diretoria da Petrobras, mas a assessoria do MPE não confirmou a informação. Até o momento, os promotores abriram apenas inquérito civil, pedindo reparações à Petrobras por dano ambiental e moral. A Procuradoria do Município do Rio também entrou com ação contra a empresa hoje.


