Vazamento foi registrado na usina Angra 1
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segunda-feira, 24 de setembro de 2001
Lucia Martins<br> Agência Estado<br> Do Rio de Janeiro 
O prefeito de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, Fernando Jordão, e a Câmara dos Vereadores da cidade passarão a ser avisados sobre todos os acidentes ocorridos na usina Angra I. A decisão foi tomada ontem durante uma reunião entre o prefeito e representantes da Eletronuclear (administradora da usina) e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), depois que a divulgação de um vazamento de 22 mil litros de água radioativa ocorrido em maio, surpreendeu as autoridades locais.
Anteontem, o prefeito convocou a reunião para saber mais detalhes sobre o vazamento, noticiado por jornais e revistas no fim de semana. A água radioativa foi despejada na parte interna do vaso de contenção da usina, um prédio que cerca o reator.
Não houve vítimas nem contaminação de áreas externas da usina, mas o incidente foi classificado de ''não-usual'' e de grau 1 de perigo (a escala vai de 0 a 7). ''Apesar de baixo risco, o acidente foi considerado grave porque houve falha humana, e isso não pode ocorrer'', disse Erculano Soares, chefe do distrito da Cnen na cidade.
O prefeito de Angra diz que foi surpreendido com a notícia e disse que ficou assustado porque achou que havia riscos para a população. A Eletronuclear avisou a Defesa Civil municipal, como manda a rotina em um acidente desse porte, mas o prefeito ontem pediu que as regras sejam alteradas e que, a partir de agora, ele seja avisado pessoalmente de novos incidentes. ''Mesmo em casos não muito relevantes, quero ser notificado. Assim, poderei acalmar a população e evitar pânico'', afirmou.
Os vereadores também pediram para fazer parte da lista de órgãos notificados. ''Concordamos em avisar os vereadores, mas nossa prioridade é informar órgãos envolvidos diretamente em uma possível operação de emergência'', explicou Soares. Um acidente classificado de ''não-usual'' não exige a organização de um plano de emergência, mas as autoridades devem ser avisadas porque ele pode evoluir para uma situação mais preocupante e perigosa.
Soares afirma que, no acidente de maio passado, as chances de a água radioativa ter vazado para fora da usina eram muito pequenas. Técnicos independentes avaliam que, se um vazamento não é contido, ele pode ter consequências terríveis, como a contaminação do mar e a exposição de moradores a um vapor radioativo.


