Vazamento de óleo pode contaminar mais 55 rios no RJ
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2000
Por Edson Luiz 
Brasília, 26 (AE) - Relatório feito pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) adverte que outras áreas podem ser contaminadas pelos 1 3 milhão de litros de óleo que vazaram na Baía de Guanabara, no dia 18. Principalmente os 55 rios da região. Peixes e crustáceos da baía, segundo o Ibama, podem tornar-se inadequados para o consumo humano, por causa do óleo. Além disso, segundo o Instituto, os equipamentos usados para contenção e recolhimento do óleo estão sendo insuficientes para controlar o desastre ecológico.
Conforme o relatório, o acidente ecológico, considerado o maior dos últimos 25 anos, está sendo tratado pela Internacional Tanker Owners Pollution Federacion (ITOPF) - entidade que avalia danos ambientais dessa natureza - como "acidente de grande porte". A avaliação, segundo a presidente do Ibama, Marília Marreco, ainda é preliminar e somente depois da verificação do comportamento do ecossistema é que se terá a extensão exata do desastre.
No levantamento feito pelo Ibama, o desfolhamento de várias espécies de plantas foi a primeira resposta do manguezal ao derramamento de óleo. "A perda acentuada de folhas e de brotos após o derrame não é compensada pela produção de novas folhas, ocorrendo uma perda progressiva de energia", informa o laudo.
Mas a constatação mais grave do relatório é de que a quantidade de óleo derramado na Baía é grande e, por ser um ambiente relativamente fechado, as consequências do acidente são mais críticas em seu interior. "Havendo remanso, provocado pelo afluxo das marés, esse dano se estenderá, também, para os rios da região (55 ao todo), ainda não afetados."
O relatório mostra que a toxicidade provocada pelo vazamento de óleo da Refinaria Duque de Caxias (Reduc) vai afetar o consumo de peixes no Rio. "A longo prazo, a vida marinha, que não é imediatamente morta pelo derrame, é atingida. O óleo pode ser incorporado à carne dos animais, tornando-a inadequada ao consumo humano", adverte o documento, acrescentando que o desastre acarretará danos irreparáveis ao ecossistema.
Aves - Apesar do tratamento que a população e a Petrobras estão dando às aves marinhas atingidas pelo óleo, as espécies ainda continuarão a sofrer os impactos do desastre ecológico. O Ibama avaliou que, nas aves, mesmo pequenas manchas de óleo criam vários problemas, como a perda da impermeabilidade da área da plumagem, prejudicando seu isolamento térmico e capacidade de flutuação.
Outro dado grave constatado pelo Ibama é de que o vazamento de óleo ocorreu justamente em período de defeso, quando as espécies de peixes se tornam mais sensíveis. As mais jovens, comuns neste período, são mais suscetíveis aos impactos do acidente. "Espécies mais sensíveis podem vir a ser exterminadas", informa o relatório.
Além dos peixes e crustáceos, o Ibama constatou que outras espécies serão atingidas. "As comunidades fitoplantônicas (microalgas e algas), zooplantônicas (microcrustáceos), zoobentônicas (animais que vivem no lodo) e nectônicas (organismos que flutuam e nadam) deverão sofrer maior impacto, inclusive quanto à mortandade."
Segundo o Ibama, as medidas que estão sendo adotadas pela Petrobrás não diminuirão os efeitos do vazamento. "Os equipamentos disponíveis para uso na operação de contenção e recolhimento do derrame de óleo mostram-se insuficientes para controlar a mancha e minimizar os danos causados pelo acidente."


