Agência Estado
Do Rio
O vazamento de óleo na Baía de Guanabara, terça-feira, foi duas vezes e meia maior do que o inicialmente anunciado pela Petrobras. A empresa reconheceu ontem que foram despejados 1,292 milhão de litros de óleo. O acidente é o segundo maior ocorrido na história - em 1975, o navio Tarik derramou seis milhões de litros de óleo bruto na baía.
Depois de sobrevoar a área atingida pelo óleo, o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, disse que vai orientar o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Não Renováveis (Ibama) a multar a empresa em R$ 50 milhões - multa máxima prevista pela Lei de Crimes Ambientais. O ministro não descartou o pedido de prisão da diretoria da estatal. ‘‘Todas as possibilidades que estão na lei serão consideradas’’, afirmou Sarney Filho. As declarações foram feitas na presença do presidente da Petrobras, Phillip Reichstul.
Os moradores das praias de Mauá, um das mais atingidas pelo vazamento, disseram ontem que a Petrobras está oferecendo um acordo sobre o material destruído - redes e barcos - e R$ 5,00 por animal morto recolhido na região. ‘‘Um funcionário da empresa disse que se entregasse as redes perdidas receberia R$ 1,5 mil ’’, contou o pescador Alexandre Ribeiro do Carmo, de 27 anos. Segundo ele, a proposta estava sendo feita aos pescadores da Praia de Olaria. Albano de Souza Gonçalves, diretor da Petrobras, negou a denúncia.
Na região dos manguezais, principalmente em Guapimirim ( área de proteção ambiental) aumenta o número de aves e peixes mortos. Um grupo de voluntários montou uma base na Praia do Limão e tentava salvar as aves. ‘‘Essas aves não podem esperar por barcos especializados’’, disse Wilma Cardoso da Silva, uma das voluntária. Até ontem à tarde, cinco aves - quatro biguás e uma garça - haviam sido salvas. Elas foram lavadas com detergente neutro e alimentadas.