Vazamento de gás mata operáriosda CNS
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sexta-feira, 06 de julho de 2001
Adriana Ferreira Agência Estado Do Rio de Janeiro 
O laudo da necropsia feito pelo Instituto Médico-Legal de Volta Redonda indicou asfixia como a causa da morte dos três funcionários da Fábrica de Estrutura Metálica (FEM), subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), ocorrida na noite de ontem na usina Presidente Vargas, em Volta Redonda (cidade a 129 km ao sul do Rio).
A CSN informou, no entanto, que a causa só será esclarecida após testes que serão feitos pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli, no Rio.
A polícia técnica de Volta Redonda esteve novamente ontem à tarde na aciaria da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) para fazer uma medição de gases. A polícia busca indícios do tipo de gás que teria provocado a morte dos três operários que faziam reparos elétricos. O IML tem até 15 dias para divulgar um laudo, mas um técnico do instituto afirmou ontem, extra-oficialmente, que a autópsia identificou intoxicação.
O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda, Petrônio Chiareli, disse à reportagem que acreditava que os operários morreram por inalação do gás OG, produzido quando da transformação do ferro-gusa em aço, porque os corpos não apresentavam hematomas, nem sinais de que teria ocorrido uma explosão.
Segundo ele, esse gás é muito tóxico e costuma ser canalizado para evitar vazamento, já que é incolor e inodoro. Os funcionários trabalhavam na manutenção elétrica do conversor A da aciaria, que está desativado devido a reformas no alto-forno 3.
Outra hipótese que está sendo considerada é uma grande concentração de nitrogênio. Neste caso, o nitrogênio provoca a expulsão do oxigênio do ambiente, causando asfixia. Há ainda uma suspeita de que teria havido um problema no sistema de ventilação, que poderia ter sido desligado pelos próprios trabalhadores.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda, Carlos Henrique Perrut, considera mais provável que a causa das mortes tenha sido por causa da ação do nitrogênio. Perrut, que trabalhou em aciaria, disse haver outra possibilidade a ser pesquisada - a liberação, em grande quantidade, de monóxido de carbono. O sindicalista considerou o acidente uma fatalidade, pois o equipamento estava parado há 30 dias e a CSN não mede esforços e gastos na segurança.


