Um vazamento de gás de cozinha provocou uma violenta explosão no restaurante Beduíno Árabe da Cidade Ademar, zona sul de São Paulo, no início da manhã de ontem. O local ficou completamente destruído. Dez funcionários do restaurante ficaram feridos.
O acidente ocorreu por volta das 9h15, menos de uma hora antes de o restaurante ser aberto. Se a explosão tivesse acontecido na hora do almoço, quando a casa recebia de 150 a 200 pessoas, poderia ter havido uma tragédia.
O vazamento de gás aconteceu durante o recarregamento de um dos seis botijões de 90 litros do restaurante. De acordo com Riad Cabri, administrador da Consigaz, que abastece o restaurante, houve um problema na válvula do botijão, que não suportou a pressão do gás e acabou liberando o produto.
O reabastecimento dos botijões era feito uma vez por semana por meio de mangueiras. ‘‘O contato do gás com a chama de um fogão ou faísca elétrica foi suficiente para causar a explosão’’, disse o tenente Ben Hur Araújo, do Corpo de Bombeiros.
‘‘Quando um dos nossos funcionários percebeu que ela estava quebrada, não havia mais nada a se fazer. Só correr’’, afirmou Cabri. ‘‘Agora, é só esperar o resultado da perícia.’ Segundo ele, se for constatada a responsabilidade da empresa, ela irá providenciar ressarcimento dos danos.
Segundo Ronivon Costa, um dos cozinheiros do Beduíno Árabe, o vazamento começou no reabastecimento do botijão. ‘‘Começou a vazar e a fazer um barulho parecido com um apito. Depois, o gás soltou de uma vez.’ Nesse momento, de acordo com Costa, todos os funcionários saíram correndo para a rua e aguardaram por três ou quatro minutos.
Como o vazamento parecia ter parado, alguém teria gritado que estava tubo bem. ‘‘O pessoal começou a entrar. Aí, estourou. Parecia que ia levantar tudo. Foi um barulho muito forte. Todo mundo saiu gritando, correndo para todos os lados’’, disse Costa.
‘‘Quando vi o teto desabar, me lembrei da explosão do shopping de Osasco e saí desesperado do restaurante’’, disse outro funcionário, Olavo Alves de Sousa. Segundo o engenheiro Habbib Ghattes Netto, da Administração Regional de Cidade Ademar, o acidente só não provocou danos mais graves porque o teto era de gesso. ‘‘Como a estrutura do forro que desabou era de baixa resistência, os ferimentos foram leves.’
Antônio Dobashi, dono da rede de oito restaurantes Beduíno Árabe, afirmou que prefere esperar o resultado dos exames técnicos para emitir qualquer opinião. Ontem, ele declarou não ter condições de calcular os prejuízos.
O Corpo de Bombeiros atende a uma média de sete ocorrências de vazamento de GLP por dia na cidade de São Paulo. Só no ano passado, foram registrados 287 vazamentos com fogo e outros 2.321 sem fogo na capital - totalizando 2.608 ocorrências. Em 1995, aconteceram 2.489 incidentes com GLP na cidade.

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