Vazamento de ácido pode causar desastre na Lagoa dos Patos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de setembro de 1998
Agência Folha 
A administração do porto de Rio Grande (RS) começou, no final da noite de anteontem, a derramar 12 mil toneladas de ácido sulfúrico no canal que liga a Lagoa dos Patos ao mar. Até a tarde de ontem, haviam sido derramadas 900 toneladas. O derrame do produto tóxico, de forma gradual, foi decidida como solução para evitar danos ecológicos maiores. Na noite de anteontem, havia 95% de chances de o navio Bahamas explodir, possibilidade ainda existente na tarde de ontem. Se o vazamento ocorresse em uma única vez, as consequências ecológicas seriam imprevisíveis. Mesmo com o vazamento gradual, segundo ecologistas, haverá morte de peixes e plantas.
A carga de ácido ficou parada dentro do navio, que estava encalhado no local havia uma semana e sofrera rachadura em seu casco. Na tarde de ontem, foram encontrados peixes mortos na beira do canal. A expectativa é de que o despejo gradual faça com que o ácido se dilua no mar.
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) teme que os danos sejam agravados com a liberação de nuvem tóxica depois do contato com a água. A nuvem poderia liberar gases prejudiciais ao sistema respiratório humano, causando infecções na garganta e nos pulmões e irritação nos olhos.
A área foi isolada por fuzileiros navais da Marinha. Técnicos da Universidade de Rio Grande analisam se o ácido está sendo levado para o mar (essa é a intenção) ou para a lagoa (o que represaria o produto) pelas correntes marinhas e pelo vento. A procuradora da República Anelise Becker disse que, havendo danos ecológicos, será aberta uma sindicância. O Ministério Público abriu inquérito civil.


