Vaticano expressa apoio à criação de força multilateral de paz
Cidade do Vaticano, 08 (AE-ANSA) - A situação de caos e violência no Timor Leste preocupa as autoridades do Vaticano, que hoje (08) manifestaram seu apoio à criação de uma força multilateral de paz. Ao mesmo tempo, os meios de comunicação vinculados à Santa Sé denunciaram os atos de violência a que foi submetida a população do território, de maioria católica.
Em uma entrevista à Rádio Vaticana, o monsenhor Jean Louis Tauran, que ocupa um cargo correspondente a chanceler do Vaticano, afirmou hoje que "a situação em Timor Leste é um acontecimento de capital importância, que não pode ser apagado: 80% da população expressou-se a favor da independência do território".
Tauran acrescentou que a "Santa Sé apoia os esforços da comunidade internacional, e em particular do Conselho de Segurança da ONU, para que seja aprovada uma resolução a favor da criação de uma força internacional de paz". "A solução do problema deve ser atingida com respeito à história, à tradição do povo timorense e não através da violência", disse ele.
Por sua parte, o jornal LOsservatore Romano (órgão oficial do Vaticano) afirmou em um editorial que em Timor Leste "são contra a comunidade católica e seus pastores - que sempre foram artífices do diálogo e da reconciliação - aqueles que estão desencadeando a violência (milicianos antiindependência)".
A agência de notícias Fides, vinculada ao Vaticano, acusou diretamente as forças armadas indonésias, citando palavras de um assessor da conferência episcopal da Indonésia, o padre Ismartomo: "O ataque à residência do bispo (de Dili, Carlos Belo, prêmio Nobel da Paz de 1996 e refugiado na Austrália, NDP) foi arquitetado pelos militares", disse.
Segundo o religioso, os militares indonésios agiram dessa forma "com um duplo objetivo": por uma parte, "expulsar o bispo de Dili" e por outra, "demonstrar que o monsenhor Belo foi salvo pelas autoridades" de Jacarta.





