Vaticano excomunga as sete mulheres ordenadas sacerdotes
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de agosto de 2002
Bruno Bartoloni<br> France Presse 
Cidade do Vaticano - O Vaticano excomungou ontem, duas semanas depois do prazo para que se arrependessem, sete mulheres ordenadas sacerdotes em junho passado, na Áustria, por um arcebispo argentino dissidente, membro da Igreja Católica Apostólica Carismática Jesus Rei.
Em 10 de julho, a vaticana Congregação para a doutrina da fé deu um prazo de até 22 do mesmo mês para que as mulheres aceitassem o cancelamento da ordenação. A viagem do papa João Paulo a Canadá, México e Guatemala, adiou a resolução vaticana. Um decreto, assinado pelo cardeal da congregação, o alemão Joseph Ratzinger, pôs fim às incertezas.
As sete mulheres ''não haviam demonstrado nenhum sinal de arrependimento pelos três graves crimes'' e foram castigadas ''com a excomungação, que pode ser realizada somente na presença do papa.
A congregação expressa o desejo de que as sete mulheres ''encontrem o caminho da conversão, sustentado pela graça do Espírito Santo''.
A ordenação dessas mulheres quatro alemãs, duas austríacas e uma norte-americana á foi feita em um barco que navegava pelo rio Danúbio.
O arcebispo argentino Rómulo Braschi, principal oficiante, administrou-lhes o sacerdócio com a ajuda de um bispo austríaco e um bispo tcheco, em presença de 300 pessoas.
O Vaticano considera a ordem sacerdotal das sete mulheres uma simulação do sacramento e, por consequência, ''inválido e nulo''. A congregação pela doutrina da fé classificou a ordenação como ''ofensa grave à unidade da Igreja''.
A Igreja católica sempre rechaçou a ordenação de mulheres, invocando que Jesus escolheu apenas homens como apóstolos.
As sete mulheres, uma delas religiosa, a irmã Adelinde Theresia Roitinger, são citadas expressamente no decreto.
A excomungação é a pena mais severa prevista pela Igreja Católica.
Segundo o código de direito canônico, aqueles que foram culpados por faltas extremamente graves da doutrina são excomungados automaticamente.
As excomungações são muito raras. A última conhecida foi pronunciada em fevereiro por um bispo de Piamonte (noroeste), monsenhor Pier Giorgio Bernardi, contra o sacerdote Franco Barbero, que realizou casamento de homossexuais.
Por outro lado, em Viena, uma das sete mulheres, Christine Mayr Lumetzberger, declarou ontem que a excomungação do Vaticano supõe uma discriminação contra as mulheres.


