Vaticano e palestinos criticam ações unilaterais em Jerusalém
Cidade do Vaticano, 15 (AE-AP) - O Vaticano uniu-se hoje (15) aos palestinos numa dura condenação ao domínio de Israel sobre Jerusalém, considerando-o "moral e legalmente inaceitável", irritando os israelenses apenas um mês antes da visita do papa à Terra Santa.
Os dois lados assinaram um acordo que também pede por um estatuto de garantia internacional para preservar "a identidade própria e o caráter sagrado" da cidade, que é venerada por judeus, cristãos e muçulmanos.
O texto não menciona Israel pelo nome, mas o Estado judeu tem consistentemente declarado que Jerusalém é sua capital indivisível desde que anexou sua parte oriental, majoritariamente árabe, depois da guerra de 1967. Israel também tem repetidamente ignorado pedidos anteriores do Vaticano por tal estatuto.
A posição do Vaticano sublinhou as dificuldades que o papa João Paulo Segundo pode enfrentar em sua turnê de 20 a 26 de março pela Jordânia, Israel e territórios palestinos.
A linguagem dura do acordo bilateral parece ter pego os israelenses de surpresa.
"Expressamos nossa consternação", disse Zvi Tal, porta-voz da embaixada israelense na Santa Sé.
Tal afirmou que enquanto a posição dos palestinos já era conhecida, a ação de hoje equivale a interferência nas negociações de paz em curso entre Israel e os palestinos.
Ele também disse que aparentemente os palestinos quebraram um acordo com Israel que limita os tipos de novos acordos que poderiam fazer.
O acordo assinado hoje cobre as relações do Vaticano com a Organização de Libertação da Palestina e o status de igrejas e a liberdade de culto nos territórios palestinos.
Ele foi assinado no mesmo dia em que o líder palestino, Yasser Arafat, reuniu-se com o papa João Paulo Segundo e apresentou um convite de última hora - aceito pelo papa - para acrescentar outra cidade palestina, Jericó, a seu itinerário. Ele também tem programadas visitas a Belém e a um campo de refugiado palestino.





