Vaticano critica setores favoráveis à camisinha
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terça-feira, 13 de junho de 2000
Agência Estado De Campinas, SP 
O presidente do Pontifício Conselho da Pastoral da Saúde da Santa Sé, monsenhor Javier Lozano Barragán, criticou ontem os setores da Igreja Católica que já admitem o uso da camisinha como forma de evitar a contaminação pelo vírus HIV. Barragán, que representa o papa João Paulo II no 1º Encontro Sobre DST-Aids, realizado pela Pastoral da Saúde em Indaiatuba, interior de São Paulo, disse que o uso de preservativos, em qualquer circunstância, contraria as diretrizes do Vaticano para os fiéis. A Igreja, segundo ele, ainda defende a fidelidade matrimonial como a melhor maneira de evitar o contágio.
O uso da camisinha como forma de evitar a contaminação foi defendido ontem, na abertura do evento, pelo bispo de Goiás, dom Eugene Rixen, coordenador da Comissão Nacional de DST-Aids, ligada à Pastoral da Saúde. Segundo ele, o método deveria ser liberado pelo menos para evitar a transmissão do vírus entre os grupos de risco, como prostitutas e homossexuais. O representante do papa, porém, alega que nem mesmo num quadro de epidemia a Igreja aprova a camisinha.
As declarações de monsenhor Barragán causaram surpresa e reação entre os participantes do encontro. No caso da aids, o uso da camisinha não é mais uma questão moral e sim de saúde pública, disse o padre Valeriano Paitoni, que dirige a casa de apoio para aidéticos Casa de Siloé, em São Paulo. Esse é um momento de diálogo em que não deve haver radicalizações, afirmou o irmão Henrique de Sá, um dos coordenadores da Comissão Nacional DST-Aids da Pastoral da Saúde, que também defende uma postura mais flexível em relação ao preservativo.


