Roma, 01 (AE) - Apesar de seu frágil estado de saúde, o papa João Paulo II vai participar amanhã (02), Sexta-feira Santa, da tradicional via sacra no Coliseu, o percurso que evoca o caminho percorrido por Jesus Cristo do pretório até o calvário. O santo padre preside todas as cerimônias da Páscoa.
"A saúde ainda lhe permite", garante o cardeal brasileiro D. Lucas Moreira Neves, prefeito da congregação para os bispos. "Antes da Páscoa ele fez outros esforços e analisou as próprias forças com o médico e sabe que é capaz de dar esses passos." Durante a via sacra, que será transmitida via satélite para todo o mundo às 16h (hora do Brasil), o santo padre medita e ora diante de cada uma das 14 estações que reepresentam os episódios mais importantes da Paixão e da morte de Jesus. Seu percurso será acompanhado pela leitura de um texto escrito pelo poeta italiano Mario Luzi, um monólogo que corresponde às estações tradicionais da "via crucis" e às passagens evangélicas que as narram.
Segundo o autor, nesse monólogo Jesus confia ao Pai suas angústias e seus pensamentos debatendo-se entre o divino e o humano. "Também isso são os homens aos quais Me mandaste. Entre eles conheci horas de afeto e doçura e outras de inconsolável amargura. Esta brutalidade para mim é nova.", diz um trecho do texto que define a tarde da sexta feira como "a maior tarde de angústia que possa existir no mundo."
As celebrações da Páscoa começaram oficialmente hoje pela manhã com a tradicional Missa Crismal na Basilica de São Pedro- e em todas as catedrais catolicas do mundo, durante a qual os sacerdotes benzem os óleos sacros usados na administraçao dos sacramentos. O pontífice concelebrou a missa com os cardeais, bispos e presbiteros diocesanos e religiosos presentes em Roma como símbolo da estreita comunhão entre o pastor da igreja universal e seus irmaos no sacerdocio.
"Esta missa é dedicada à instituição do sacerdócio", disse o santo padre em sua homilia, "que nos tornou participantes do sacerdócio de Jesus para que em todos os altares do mundo e em todas as épocas fosse representado o cruento e único sacrificio do calvário".
À noite, sempre na basílica vaticana, Joao Paulo II recordou a ultima ceia de Jesus Cristo com os apostolos celebrando a missa e a cerimônia do "lava-pés" durante a qual lavou os pés de 12 sacerdotes idosos. Os presentes foram convidados a cumprir um ato de caridade em favor das vitimas dos terremotos da Armenia e Percira na Colombia.
D. Lucas Moreira Neves, apesar de gripado e com febre, participa de todas as concelebrações nas cerimonias da Páscoa com o papa. "É a festa religiosa mais importante e mais sentida porque é o centro do mistério cristão, a festa central de todo o cristianismo", define o cardeal brasileiro.
A Páscoa desse ano, segundo D. Lucas, caracteriza-se pela celebração do Jubileu- que oficialmente terá inicio no proximo Natal, a comemoraçao dos dois mil anos do nascimento de Cristo. "Recorda a comemoração de Jesus Cristo pois é o ano em que celebramos a sua centralidade com maior consciencia crista em todo o mundo", diz D. Lucas.
Essa Páscoa traz também uma mensagem de esperança, principalmente diante do cenário de guerra desencadeado pelo conflito na região dos Balcãs segundo o cardeal, que considera a vigília pascal- a noite do sábado, a passagem mais tocante do período da Pascoa.
Amanhã (02) pela manhã o papa ouve a confissão de fiéis de várias nacionalidades na Basílica de São Pedro e preside o rito da Paixão, sem eucaristia. O dia da Paixão de Cristo é o único do calendário litúrgico católico em que não se celebra missa. O sábado é dia do silencio e da espera e, à noite, o papa Joao Paulo II com cardeais e bispos celebra pro emio da vigília pascal a ressurreição de Cristo. As comemorações são encerradas no domingo de Páscoa com a grande cerimonia na Basilica de Sao Pedro.

mockup