Vásquez desmente seu principal assessor econômico
Montevidéu, 2 (AE-AP) - Tabaré Vázquez, ganhador do primeiro turno para a presidência do Uruguai, desmentiu seu principal assessor econômico sobre a eventual aplicação de impostos sobre depósitos e causou hoje a primeira divergência pública no interior de sua coalizão de esquerda.
Vásquez, naquilo que pareceu ser um esforço para acalmar o nervosismo desencadeado no mundo fincanceiro, disse hoje numa entrevista coletiva, que os depósitos bancários não serão tributados, contrariando as informações de seu assessor econômico, Daniel Olesker, que havia afirmado o contrário à imprensa argentina e uruguaia.
Olesker revelou que a administração tributária poderia suspender o sigilo bancário, um dos pontos centrais do sistema financeiro do Uruguai. O sigilo bancário atualmente só é suspenso por ordem judicial.
As declarações de Olesker causaram preocupação já que os depósitos do exterior somam 4.401 milhões de dólares, e a maior parte deste dinheiro provém de argentinos. Os depósitos de residentes somam outros 6.623 milhões de dólares.
Vázquez, na entrevista coletiva já como vencedor com 39% dos votos do primeiro turno eleitoral, disse que o sigilo bancário será respeitado. Acrescentou que a justiça tem ferramentas para suspender o sigilo bancário, mas isso só será feito quando a justiça assim o determinar. "Não faremos nenhum movimento político para modificar isso".
Vázquez deverá enfrentar no segundo turno Jorge Batle, do partido governista Colorado, no dia 28 de novembro.
Quanto aos impostos, Vázquez disse que "os investidores terão bonificações de crédito e fiscais do Banco de Previsão Social de acordo com as pessoas que empregarem", e reiterou que aplicará uma política gradual e irá buscar investidores nacionais e internacionais.
Vázquez havia assinalado anteriormente que Olesker ocuparia um alto carho dentro de seu gabinete econômico.





