Brasília, 07 (AE) - O governo decidiu que até sexta-feira a VASP terá de pagar as tarifas aeroportuárias referentes ao uso dos aeroportos durante a semana passada. Se essa dívida não for paga, a partir de sábado todos os vôos da compahia aérea estarão suspensos.
O ultimato do governo vai ser comunicado no final da tarde de amanhã ao presidente da VASP, Wagner Canhedo, pelo comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista, que adiantou que a dívida anterior da empresa aérea com a Infraero, no entanto, será totalmente renegociada.
Para o brigadeiro, o presidente da VASP cumprirá os novos acordos para evitar que o governo tome medidas drásticas. A "complascência" do governo com Canhedo, de acordo com o brigadeiro Baptista, existe por causa dos 8.500 empregos que ele gera.
"Farei tudo o que puder para evitar que essa empresa seja fechada", afirmou o comandante. No entanto, ele admite que "poderá chegar o momento em que isso não possa ser sustentado, mas isso ainda será definido".
"A hora dessa definição chegará, mas antes nós temos de dar ao doutor Wagner Canhedo todas as possibilidades de defesa", acrescentou.
O brigadeiro advertiu, entretanto, que a Aeronáutica só não tem complascência com segurança de vôo. "Só tem uma possibilidade de não haver complascência com o que está acontecendo, é o momento em que seja afetada a segurança de vôo, que prejudique os usuários. Por enquanto não tenho nenhuma notícia disso", acentuou.
O ministro da Defesa, Geraldo Quintão, por sua vez, assegurou que não se trata de privilégio em relação à VASP mas apenas a avaliação de que uma "questão social". Quanto à fraude de certidões negativas de débitos junto ao INSS o ministro declarou que isso está sendo analisado e se for comprovada a ilegalidade, a Polícia Federal será chamada para tomar providências legais. O brigadeiro acrescentou que a Aeronáutica está verificando quais são as sanções para esse problema.
"Tenho certeza que no dia que nós atendermos a essa sofreguidão de cassar a concessão de linhas de uma empresa as mesmas pessoas que pressionam para que tomem medidas extremadas vão nos crucificar porque fizemos isso", desabafou o brigadeiro
que considera diferente forjar uma certidão de um laudo técnico.
"Mas forjar um documento para qualquer outra finalidade e forjar um laudo técnico para colocar um avião que não está seguro em vôo eu acho um atestado de insanidade."
A exigência da VASP pagar suas dívidas não se esgota nesta semana. Segundo o brigadeiro Baptista, a empresa aérea terá de quitar seu débito semanal a cada sexta-feira. No dia em que deixar de pagar, não haverá outra solução senão suspender os vôos no dia seguinte.

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