Brasília, 08 (AE) - O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista, comunicou hoje ao presidente da Vasp, Wagner Canhedo, que a empresa terá de pagar nesta sexta-feira à Infraero (Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária), R$ 1,654 milhão, sob pena de os aviões da companhia não poderem mais voar a partir de sábado. Este é o débito da Vasp pelo uso dos aeroportos referentes à semana passada, de acordo com Infraero. Os depósitos terão de ser repetidos, semanalmente, a cada sexta-feira, para que a empresa não seja considerada novamente inadimplente e sujeita a suspensão de seus vôos. O restante da dívida, R$ 410 milhões, será mais uma vez renegociado.
A empresa possui uma dívida histórica com a Infraero de R$ 370 milhões. Como esse montante foi renegociado várias vezes e Wagner Canhedo, apesar do compromisso assumido, continuou não pagando, a Infraero decidiu entrar com uma ação na Justiça para exigir o pagamento diário das taxas de operação nos aeroportos administrados pelo governo e obteve a vitória.
A Vasp, então, começou a pagar a dívida semanalmente mas
em dezembro, entrou com recurso e obteve uma liminar que permitiu o não pagamento das tarifas. Na sexta-feira, a desembargadora Julieta Lunz, do Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro, suspendeu a liminar, determinando que a companhia aérea voltasse a recolher as taxas diariamente. De dezembro para cá, uma nova dívida se acumulou, de R$ 37 milhões, que será incorporada aos R$ 370 milhões e renegociada, de acordo com o comandante da Aeronáutica.
Diariamente, a média de pagamentos que a Vasp deveria fazer por uso dos aeroportos no País, de acordo com a Infraero, é de R$ 236.332,00. Na segunda-feira à noite, durante reunião de mais de três horas, o ministro da Defesa, Geraldo Quintão, e o comandante da Aeronáutica decidiram dar um ultimato à Vasp. A posição contou com apoio do Palácio do Planalto. Hoje coube ao brigadeiro Baptista transmitir o recado a Canhedo, em uma reunião na Aeronáutica. O governo quer evitar a todo custo que a empresa seja fechada e argumenta que é preciso preservar, de toda maneira, os 8.500 empregos que a empresa oferece.
A situação da Vasp, inclusive seus problemas jurídicos, ocorridos em função das CND (Certidões de Débitos Negativas) falsas que distribuiu, continuam sendo analisados pelo governo. Segundo o brigadeiro Baptista, o governo está avaliando que sanções podem ser aplicadas à empresa por esse tipo de atitude.

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