São Paulo, 12 (AE) - A direção da Vasp estranhou hoje o anúncio da Empresa de Correios e Telegráfos (ECT) de que foi dispensada do atendimento dos serviços da Rede Postal Noturna (RPN) por ter apresentado documentação falsa. A empresa, comanda pelo empresário Wagner Canhedo, trabalhou para a ECT durante 25 anos. "Negamos peremptoriamente que tenha sido apresentada documentação falsa, por isso vamos recorrer em instância administrativa, primeiramente", disse o porta-voz da Vasp, Ruy Nogueira. "Depois, iremos entrar na Justiça."
Segundo Nogueira, na sexta-feira, às 19 horas, a Vasp recebeu um fax da RPN, dizendo que o contrato estava unilateralmente rescindido. Pelo documento enviado pela estatal, segundo o porta-voz da Vasp, "ambas as empresas estão liberadas das obrigações contratuais devido a problemas relativos a documentação cadastral na renovação do contrato".
Em nenhum momento, disse Nogueira, a ECT comunicou a Vasp que qualquer um dos documentos fossem falsos. "Nós requeremos toda documentação em órgãos oficiais, transportamos pelos Correios, daí a dizer que os documentos são falsos é outra história."
A Vasp atendia a Rede Postal Noturna com cinco linhas - do total de 35 utilizadas pela ECT -, com aviões cargueiros que somente a Varig tem igual, transportando 39% do volume total de encomendas expressas, documentos e cartas, contou o porta-voz. "Sempre tivemos 98% de pontualidade na entrega da Rede Postal Noturna", disse Nogueira.
Receitas - Nos últimos três anos, o transporte dos Correios realizado pela Vasp representava R$ 5 milhões mensais. Ou seja, oscilou entre 1,8% e 2,5% do faturamento da companhia. Até o início dos anos 90, o transporte da ECT chegou a representar 6% do faturamento da Vasp.
Embora transportasse encomendas para a ECT, como o Sedex
por exemplo, a Vasp já há alguns anos mantém um produto concorrente, o Vaspex.
Sem ter o mesmo volume de transporte de cargas da ECT, acima de 3 milhões de documentos mensais, a Vasp, com o Vaspex, transporta 300 mil encomendas. Segundo Nogueira, o Vaspex hoje representa 18% do faturamento da companhia. "Após a ECT, somos o primeiro transportador de documentos do setor privado do País", contou o porta-voz.

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