A Superintendência da Polícia Federal no Paraná, com sede em Curitiba, ouviu ontem à tarde, em depoimento, a advogada e ruralista Dionéia Fróes Dresch. Ela foi chamada pela PF para formalizar a denúncia de que ruralistas da região Noroeste do Estado estariam colocando minas terrestres (bombas armadas logo abaixo da superfície terrestre) em suas propriedades para evitar invasões de sem-terra. A Secretaria de Estado da Segurança Pública também ordenou ao comando do 8º Batalhão da Polícia Militar em Paranavaí que investigue a veracidade da denúncia, patrulhando nas fazendas próximas às áreas invadidas.
Dionéia Fróes Dresch, que tem propriedade rural em Nova Londrina (100 km ao norte de Paranavaí) e também reside em Curitiba, disse que levou a informação para o comando do Exército no Paraná, ‘‘cumprindo seu dever cívico’’. Ela alegou estar preocupada com o clima de guerrilha que instaurando na região, com fazendeiros e sem-terra se armando. A PF queria obter ontem nomes de quem teria colocando as minas e em quais propriedades. ‘‘Queremos ver a veracidade desta denúncia, que é grave, para depois iniciarmos um trabalho mais efetivo’’, explicou um dos delegados.
Patrulhas Rurais da Polícia Militar na região noroeste realizaram, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública, varredura em várias propriedades agrícolas, principalmente na região de Querência do Norte (113 km de Paranavaí), considerada a área mais tensa. O trabalho foi iniciado na quinta-feira, quando a secretaria tomou conhecimento do fato através de uma entrevista da advogada a uma emissora de rádio, e terminou ontem por volta do meio-dia, sem que qualquer artefato tenha sido encontrado.
A vistoria da PM visou principalmente as propriedades vizinhas às áreas já invadidas por sem-terra ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). ‘‘Essa denúncia é de muita gravidade e não pode ser feita assim, de forma irresponsável. Quem fez a acusação terá que arcar com as consequências’’, disse o secretário de Segurança, Cândido Martins de Oliveira.
O delegado-chefe da Polícia Civil no Estado, Newton Rocha, designou um delegado especial para investigar o assunto. A advogada Dionéia Dresch será chamada a formalizar a denúncia para que a polícia possa verificar a veracidade das informações, caso ela confirme as declarações dadas à imprensa.
Um oficial da PM, na secretaria de Segurança Pública, que preferiu não se identificar, disse não acreditar nesta denúncia, pois os fazendeiros precisariam sinalizar o local das minas para evitar que eles mesmos sofram acidentes. ‘‘Este artefato de guerra precisa ser colocado de uma forma que, quem tem conhecimento deles na área, possa identificá-los à distância’’, salientou.
O delegado-chefe da 8ª Subdivisão Policial de Paranavaí, Luiz Norberto Canhoto, também iniciou ontem uma investigação. Canhoto convocou todos os delegados de municípios com propriedades rurais ocupadas, além da PM e um representantes da UDR. ‘‘Já falei por telefone com todos os delegados da região, e ninguém ouviu sequer falar de minas nas fazendas’’, disse.

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