Varig tem prejuízo de R$ 49,150 milhões no trimestre
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domingo, 23 de maio de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 24 (AE) - A Varig registrou prejuízo de R$ 49,150 milhões no primeiro trimestre do ano. O resultado representou um aumento de 38,51% em relação ao resultado do mesmo período no ano passado, que também foi negativo. O prejuízo foi registrado mesmo com a decisão da empresa de diluir, nos próximos balanços, as perdas com a desvalorização do real. O patrimônio líquido da empresa, em março, ficou em R$ 75,8 milhões. O prejuízo por ação da companhia foi de R$ 0,70.
O comunicado da companhia enviado para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) informou que, no primeiro trimestre, o desempenho da companhia foi afetado pela mudança da política de câmbio e a mudança do Conselho de Administração.
A "exacerbada competição" entre as companhias aéreas neste período, e a piora de seus resultados, na comparação com o primeiro trimestre de 1998, foi outro fato marcante lembrado pela Varig.
O número de horas e quilômetros voados pelos aviões da empresa diminuíram, respectivamente, em 2,7% e 3,6%. No entanto, o número de passageiros transporados no mercado internacional cresceu 6,8%, com o embarque de 973,4 mil pessoas, contra o resultado de 911,3 mil do primeiro trimestre de 1998. No mercado doméstico, a Varig transportou 1,65 mil passageiros, o que significou alta de apenas 0,7%.
A empresa informou que as razões que afetaram seu desempenho no primeiro trimestre também são a causa do processo de reestruturação que vai sofrer, com a redução de seus custos e necessidades de recursos, para equilibrar seus gastos. A direção da empresa foi procurada para comentar os resultados, mas preferiu não se manifestar sobre o assunto.
Demissões - O presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (Snea) , Luiz Fernando Collares, lembrou que as medidas de reestruturação significam a demissão de 2,3 mil trabalhadores dos 17,5 mil que a empresa tinha no início do ano. Segundo Collares, somente uma discussão da política de transporte aéreo do País poderia evitar estas demissões e a possibilidade de mais cortes de cargos.
Atualmente, lembrou, o setor aeronáutico enfrenta crises regulares, que sempre são resolvidas com "demissões em massa".


