Varig renegocia dívidas em vez de esperar financiamento do BNDES
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quinta-feira, 03 de fevereiro de 2000
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 03 (AE) - A Varig optou por renegociar os prazos de sua dívida com os credores em vez de esperar o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A companhia aérea solicitou cerca de R$ 400 milhões ao banco no meio do ano passado, para substituir sua dívida - quase US$ 1 bilhão, metade no Brasil -, mas acabou conseguindo alongá-la ao renegociar os compromissos que venciam em 1999 e nos próximos dois anos.
Mesmo assim, explicou o diretor financeiro e de relações com o mercado da Varig, Michael Conolly, a companhia continua conversando com o BNDES. Se o dinheiro sair, a empresa pode baratear ainda mais suas obrigações. Conolly estima que em dois anos a Varig terá uma "situação confortável" de adequação do serviço da dívida ao fluxo de caixa da empresa.
O presidente da companhia, Fernando Pinto, informou que as conversas com o BNDES ainda estão no nível técnico e não chegaram à diretoria do banco. Segundo Pinto, a operação sairá apenas se as taxas forem interessantes para as duas partes. A Varig já tem uma operação de debêntures junto ao BNDES, que comprou uma parte da emissão de pouco mais de R$ 100 milhões em 1994.
O executivo lembrou que o recente pedido de empréstimo nada tem a ver com os rumores de fusão no setor aéreo, nem é um pedido de salvamento. Pinto concordou com o ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, que declarou ontem que o BNDES não seria hospital para empresas aéreas. "Não tem de ser hospital mesmo", afirmou o presidente da Varig.
Segundo Conolly, a Varig optou por uma reestruturação e está com "rentabilidade excelente". O diretor informou que a margem de EBITDA (geração de caixa) sobre a receita em 1999 foi de 20% a 21%, o mesmo percentual que os analistas projetam para a United Airlines, a Continental e a Delta. As vendas do ano passado foram superiores a US$ 2,5 bilhões, de acordo com a Varig.
O presidente da Varig frisou que o posicionamento estratégico da companhia "não passa por fusões ou aquisições", apesar de as oportunidades sempre serem avaliadas. Conolly garantiu que a Varig não tem mantido reuniões com outras empresas do setor para tratar de reestruturação. Mas afirmou que deveria haver menos operadores de rotas internacionais, por exemplo. "Se a Vasp vier a sair destas rotas, será positivo".


