Rio, 02 (AE) - A Varig está recuperando o movimento de passageiros neste semestre, depois da queda de 16% amargada no semestre passado. A informação é do presidente da empresa, Fernando Pinto. Nos vôos internacionais, por exemplo, a queda foi de 18% nos seis primeiros meses de 1999, em relação ao mesmo período do ano passado. Hoje, a redução é de 11%.
A Varig transportou 11,5 milhões de passageiros em 1998. "Tivemos uma boa surpresa em julho", afirmou Pinto. O balanço semestral da Varig deveria ter sido divulgado em agosto, mas foi adiado para este mês. "Por causa da variação cambial, o balanço é um pouco mais complicado", explicou o executivo.
Pinto espera uma recuperação até o final do ano por dois motivos: o crescimento da economia e uma parceria firmada hoje com a Petrobrás Distribuidora (BR), que lidera o setor de distribuição e revenda de combustíveis. Os consumidores que abastecerem nos postos BR ou comprarem nas lojas de conveniência da rede terão direito a milhas no programa Smiles, da Varig. O presidente da BR, Luiz Antônio Viana, acredita em um crescimento de pelo menos 10% a 15% no gasto médio dos clientes, que hoje é de R$ 60 no consumo de combustíveis para automóveis e de R$ 5 nas lojas de conveniência.
O presidente da Varig estima um aumento de 10% na base de clientes do Smiles, de 2,2 milhões de pessoas. Depois, pode haver crescimentos anuais também de 10%. A Varig já gastou US$ 10 milhões no Smiles, desde 1994. Para os próximos dois anos e meio, estão previstos investimentos de US$ 5 milhões. O Smiles já distribuiu 1,8 milhão de passagens e tem 73 empresas associadas para promoções.
A companhia aérea poderá também se fortalecer no mercado externo. "O principal ponto (da discussão sobre a reorganização do setor aéreo) é ter uma marca brasileira forte", disse Pinto. "A Varig tem toda a condição de ter a maior participação no exterior, porque opera no mercado internacional desde 1955." Mas o executivo negou que haja conversas sérias sobre fusões e aquisições entre as principais companhias.
Segundo ele, Varig, Vasp, Transbrasil e TAM se reuniram recentemente para discutir a reforma tributária. Sobre um possível caminho para o fortalecimento das empresas, Pinto apenas citou um exemplo: Varig e Transbrasil, que tinham rotas para Londres e Portugal, entraram em acordo e dividiram o mercado. Atualmente, a Varig voa diariamente para Londres e Transbrasil, para Portugal.

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