Varig investe R$ 2 milhões para aumentar ocupação na ponte aérea
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de julho de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 20 (AE) - A Varig vai investir R$ 2 milhões em novos serviços e em marketing para aumentar a média de ocupação de seus vôos da ponte aérea de 65% para 80% até o fim do ano. Segundo o presidente da Varig, Fernando Pinto, as três rotas da ponte aérea (São Paulo-Rio, São Paulo-Belo Horizonte e São Paulo-Brasília) representam 4% da receita anual dos vôos domésticos da empresa, com cerca de 5% de produtividade.
No primeiro semestre desse ano, depois da desvalorização do real, a Varig fechou, segundo Pinto, com reduções da taxa de ocupação de 15% nos vôos internacionais, de 10% nos vôos domésticos e de 15% nos de carga. "Nossa exportação caiu ao mesmo tempo que a importação ficou igual", explicou. Nesse período, foram demitidos mil funcionários e, atualmente, a empresa opera com 16 mil empregados.
Em entrevista coletiva, hoje à tarde, Pinto afirmou que a companhia está preparada para qualquer iniciativa do governo de abrir o mercado da aviação comercial brasileira, para evitar a formação de cartéis no setor. A especulação em torno da fusão entre Vasp e a Varig foi desmentida. "Por enquanto, só temos uma certeza: a Varig não desaparece", disse.
O executivo acredita, no entanto, que a redução do número de empresas aéreas brasileiras operando em vôos internacionais - atualmente a TAM, Varig, Vasp e Transbrasil - será natural. "São muitas bandeiras", justificou. "Para que ser uma idéia, a Itália tem apenas a Alitaia e a Espanha, a Iberia", citou como exemplo.
Segundo o presidente da Varig, em 1998, a empresa teve 70% de aproveitamento de ocupação por aparelho, enquanto a concorrência chegou a 50%. "Em alguns índices de eficiência, como empregado por assento por quilômetro oferecido ou a utilização de frota, e até mesmo em itens de qualidade, mostramos ser iguais ou até melhores que empresas estrangeiras"
afirmou.
Como exemplo de item de qualidade, Pinto ressaltou o índice de pontualidade da empresa que chegou a 97% nos vôos domésticos e 95% nos internacionais. O executivo, porém, informou que hoje a dívida internacional da empresa, que vem sendo refinanciada pelo Deusthe Bank, é de US$ 1,1 bilhão, enquanto a dívida nacional chega a US$ 600 milhões.
Balanço - Fernando Pinto fez um balanço positivo da ponte aérea Varig-Rio Sul, que completa um ano em 15 de agosto. "Conseguimos crescer nossa taxa de aproveitamento por aparelho de 60% para 70%", disse. Nesse período, a duas empresas transportaram 2 milhões de passageiros em 64 vôos Rio-São Paulo, 20 vôos São Paulo-Belo Horizonte e 14 vôos São Paulo-Brasília.
Para comemorar a parceria, a Varig preparou um pacote de novos serviços. Entre as novidades que começarão a vigorar a partir de agosto, está o lançamento da máquina volante de check-in e de emissão de bilhete de embarque. As máquinas serão manuseadas por atendentes da Varig no saguão dos aeroportos, nas lojas da companhia.
Os clientes do programa de milhagem Smiles poderão ter acesso ao serviço no estacionamento do aeroporto de Congonhas, em São Paulo. "O objetivo é diminuir as filas nos balcões da empresa, que é uma das reclamações mais comuns dos nossos clientes", explicou Pinto.
Por enquanto, somente os aeroportos de Congonhas e Santos Dumont (Rio) serão contemplados com a novidade, mas a meta é estendê-la para as outras rotas até o fim do ano. Em cada um dos dois aeroportos serão instaladas, inicialmente, três máquinas, que custaram ao todo US$ 70 mil.
Durante todo o mês de agosto, os clientes do Smiles ganharão um bônus de 5 mil milhas a cada 10 trechos voados, além das mil milhas que o passageiro já acumula por trecho voado. A empresa pretende promover alterações no serviço de bordo, apesar da aprovação de 92% dos usuários, e dar ainda descontos em empresas de táxis e, no caso de Congonhas, estacionamento gratuito por 12 horas.


