Varig deve adotar afastamento em massa para cortar salários
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quinta-feira, 29 de abril de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 30 (AE) - A Varig deve adotar, na primeira quinzena de maio, uma medida inédita de redução de pessoal: o licenciamento em massa de funcionários por um ano, sem vencimentos. O afastamento será prorrogável após este período ou revogável antes do término do prazo, em caso de melhoria do quadro financeiro da empresa. Hoje, representantes da Associação dos Comissários da Varig tiveram uma reunião com diretores da companhia para discutir os termos do acordo. A medida deve atingir 477 dos cerca de 3.600 comissários de bordo da empresa.
A direção da Varig não aceita falar sobre o assunto. Por meio de sua assessoria de imprensa, informa que a medida está ainda em estudos. A proposta foi apresentada aos empregados, segundo o presidente da associação, Fernando Vieira, como uma alternativa à demissão. A licença sem vencimentos é permitida legalmente como iniciativa dos empregados.
O afastamento não será compensado com o pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Os comissários manterão o vínculo empregatício com a Varig e terão depositadas as parcelas da empresa para o INSS e para o fundo de pensão da categoria, o Aeros. "A companhia irá se comprometer também a não admitir novos funcionários enquanto todos os licenciados não tiverem retornado ao trabalho", explica Vieira.
A empresa deve oferecer ainda um plano de demissões voluntárias, incentivo a aposentadorias e, segundo o presidente da Associação dos Comissários, está analisando a redução da frota. Dez aviões em operação pelo sistema de leasing devem ser devolvidos e está sendo avaliada a retirada de operação das cinco aeronaves Boeing 747.
Dificuldades - A Varig vem atravessando há mais de quatro anos um fase de dificuldades, com registros de prejuízos financeiros nos balanços anuais. A crise diminuiu há cerca de dois anos e voltou a piorar depois da recessão desencadeada no ano passado.
No início deste ano, a companhia anunciou a redução de rotas internacionais e até mesmo vôos antes muito rentáveis, como os para Orlando, nos Estados Unidos, tiveram frequência reduzida.


