Rio, 22 (AE) - A Varig não vai solicitar ao Departamento de Aviação Civil (DAC) um reajuste das passagens aéreas antes de junho, quando completa um um ano do último reajuste. Segundo o presidente da empresa, Fernando Pinto, o importante é concentrar esforços na flexibilização tarifária do setor. "Não adianta perder tempo com algo que não funciona", afirmou o executivo. O pedido esbarraria na lei que criou o Plano Real, que permite apenas um reajuste a cada 12 meses.
Entre as principais companhias brasileiras, a TAM já solicitou ao Departamento de Aviação Civil um aumento em torno de 16%. O DAC analisou a planilha de custo da empresa e sugeriu um percentual menor, de 8,3%. O número foi encaminhado ao comando de aeronáutica e depois irá para o Ministério da Fazenda
que dará o parecer final sobre a questão.
"Sem dúvida existe uma defasagem nas tarifas e se não houver uma liberalização até junho vamos solicitar um reajuste"
explicou Pinto. O executivo recebeu hoje o Prêmio Mascate concedido pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). "A liberalização já era para ter sido aprovada desde dezembro do ano passado." Ele lembrou ainda que a medida daria maior competitividade ao setor, permitindo que cada empresa fixasse sua tarifa com base em seus custos.
Os cálculos do DAC mostram que a última elevação do querosene de aviação, de 23%, autorizada pelo governo a partir de primeiro de março, teria impacto de 2,8% no preço das passagens, caso as companhias pudessem fazer o repasse. O combustível representa de 15% a 30% do custo operacional das empresas.
O presidente da Varig informou também que a empresa pretende comprar cerca de oito novas aeronaves este ano. Desse total, quatro serão de pequeno porte para vôos nacionais e o restante de grande porte para linhas internacionais. "Vamos elevar para 90 o número de aeronaves na empresa", acrescentou. O preço médio de um avião de pequeno porte é de US$ 30 milhões, enquanto os de grande porte custam entre US$ 80 milhões e US$ 100 milhões.
O balanço financeiro do ano passado da Varig será publicado até o final deste mês. Pinto destacou os efeitos positivos dos ajustes promovidos pela companhia para se adequar ao novo cenário de política cambial. "Desde de junho, a empresa conseguiu se equilibrar e opera hoje com cerca de 80% de ocupação nos vôos internacionais", comemorou.

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