Varig considera superadas dificuldades com queda do real
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quinta-feira, 15 de julho de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 16 (AE) - O presidente da Varig, Fernando Pinto, afirmou hoje que a empresa já se ajustou ao impacto provocado pela desvalorização do real do início do ano. Segundo Pinto, o fato é demonstrado com os índices de ocupação de assentos por vôos, que são os melhores do setor atualmente.
"Estamos alcançando o nível de 75% de ocupação nos assentos dos vôos internacionais e de quase 70% nos vôos domésticos", afirmou Pinto, durante o lançamento da IAA 2000, feira aeronáutica que irá ser realizada no ano que vem no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro.
O presidente da companhia aérea explicou que o resultado foi obtido com a redução de oferta de vôos e aviões. "Ajustamos a oferta", explicou.
A desvalorização cambial afetou fortemente a Varig porque a empresa estava com muitas dívidas em dólar, por causa do arrendamento de aviões no mercado internacional, pela cotação do dólar. Ao mesmo tempo, a maior parte de sua receita é obtida em reais, com o embarque de passageiros no Brasil.
Para superar as dificuldades, a companhia suspendeu temporariamente três vôos para os Estados Unidos (para Atlanta, Washington e Orlando), outros três para a Europa (Porto, em Portugal, Amsterdã, na Holanda, e Copenhaguen, na Dinamarca), dois na ásia (Hong Kong, na China, e Bangcoc, na Tailândia), e um para Johannesburgo, na áfrica do Sul.
A companhia também devolveu 12 aviões que havia arrendado e deu licença sem remuneração para cerca de 400 dos seus 17 mil funcionários.
Pinto negou que parte das ações da Varig seja vendida pela Fundação Rubem Berta, controladora da companhia, para alguma concorrente internacional, como a Lufthansa, para resolver seus problemas financeiros. "Não existe nada disso", afirmou. Ele confirmou apenas a parceria com a Lufthansa para a criação de um centro de treinamento de pilotos.
Justiça - O presidente informou que não espera que a empresa receba este ano indenização por perdas sofridas com a defasagem das tarifas aéreas entre 1988 e 1992. A 4ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) de Brasília já deu ganho de causa à empresa nesta ação, mas Pinto espera que o governo recorra contra a sentença no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e até no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o executivo, o valor de R$ 2 bilhões que a empresa teria a receber, se realmente for confirmada a sua vitória na Justiça, é "especulação".
A ação da Varig é semelhante a outra que foi impetrada pela Transbrasil, que já ganhou o direito de receber indenização de R$ 700 milhões. A Vasp também entrou com ação similar.


