Varig anuncia prejuízo de R$ 94 milhões
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terça-feira, 04 de abril de 2000
Por Irany Tereza 
Rio, 05 (AE) - A Varig registrou prejuízo de R$ 94,820 milhões no ano passado, resultado 274% superior ao de 1998, que também havia sido negativo, em torno de R$ 25 milhões. Segundo o diretor financerio da empresa, Michael Conolly, o prejuízo já era esperado devido ao processo de reestruturação da empresa em 99 e às consequências da desvalorização cambial. Ele informou que, ao contrário das medidas tomadas no ano passado, este ano a empresa estuda a abertura de novas rotas. "Já alcançamos o objetivo de rentabilidade e agora vamos iniciar o processo de ampliação de receita", afirmou.
Ele criticou a possibilidade em estudos pelo governo de separação de rotas internacionais pelas quatro maiores companhias aéreas regulares (Varig, Vasp, Transbrasil e TAM). "Qualquer divisão é e será um grande erro", declarou. Mas ressalvou que as modificações em análise na Varig - como a abertura de quatro frequências semanais para Munique, na Alemanha, e a reativação da rota direta Rio-Nova York - não são motivadas pela recente proposta. "Não estamos aumentando frequências para proteger direitos", frisou. "Só vamos voar se a rota for rentável."
Classificando a Varig como a única empresa brasileira em condições de competir com as estrangeiras, ele admitiu que a companhia espera sair do vermelho apenas "no médio prazo". Ainda há um grande peso com endividamento, em sua maior parte de longo prazo. A empresa, que tem 40% de seus custos em dólar, optou, na época da desvalorização cambial, pelo diferimento da dívida em quatro anos. Este ano a Varig deverá desembolsar entre US$ 130 milhões e US$ 150 milhões para amortização líquida da dívida. Nos próximos dois anos serão cerca de US$ 100 milhões. "É uma questão de tempo para que o lucro líquido apareça", diz Conolly.
Segundo ele, o balanço anual da empresa, entregue hoje à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), demonstra que o resultado da atividade da Varig aumentou 240% em relação ao ano anterior, passando de R$ 36 milhões para R$ 126 milhões. "Iniciamos o ano com o caixa zerado, o que já é uma excelente notícia, mostrando que todos os índices que refletem operação estão mais favoráveis", comentou.
O fato é que a Varig ainda não conseguiu afastar a crise que ronda a empresa há quase dez anos. Em 1997, a empresa registrou lucro líquido (R$ 28 milhões) depois de seis anos consecutivos de prejuízo, mas no ano seguinte voltou ao vermelho. A reestruturação promovida no ano passado, que incluiu corte de pessoal, redução de rotas internacionais, devolução de aeronaves e troca no porte de aviões, teve como objetivo adequar o tamanho da empresa ao mercado.
Agora, segundo Conolly, a empresa está mantendo negociações com fornecedores internacionais para adquirir, ainda neste semestre, mais oito aeronaves pelo sistema de leasing, metade para vôos domésticos e outra metade para internacionais. Serão aviões Boeing 767 e MD-11, usados em novas frequências que a empresa pretende criar.
De acordo com o balanço divulgado hoje, a receita líquida de vendas passou de R$ 3,622 bilhões para R$ 4,446 bilhões de 98 para 98, fechando com resultado bruto positivo de R$ 1,450 bilhão. Foi um crescimento superior ao que estava sendo esperado, segundo Michael Conolly.


