O piloto-chefe da Varig, Geraldo Souza Pinto, admitiu ontem que houve falha operacional do comandante Sérgio Luiz Lott Duffles Conceglia, o que fez com que o Boeing 737-300 da Ponte Aérea Rio-São Paulo errasse o pouso e batesse nas pedras, junto à Baía de Guanabara, anteontem à noite. O avião, com 132 passageiros e seis tripulantes, saiu de São Paulo às 20h05 e chegou ao Rio às 20h40. Na aterissagem, o Boeing entrou na cabeceira do Aeroporto Santos Dumont, no Rio, com altitude e velocidade acima do normal e varou a pista de pouso, numa aproximação não estabilizada.
Lott, de 51 anos, é o mais experiente piloto da Varig na Ponte-Aérea, onde voa desde 1974, quando pilotava um Electra. Há cinco anos, ele pilota o Boeing 737, com 2.250 horas de vôo e cerca de três mil pousos executados neste aparelho. Seu último teste no simulador ocorreu em 8 de março. Em toda a carreira, voou 13 mil horas. O Departamento de Aviação Civil (DAC) do Ministério da Aeronáutica, que classificou o ocorrido como ‘‘incidente grave’’ instaurou inquérito para investigar as causas do ‘‘pouso longo’’. Foram recolhidos do avião as caixas com registros de vôo, a Fly Data Recorder (FDT) e a Cock Voice Recorder (CVR). O DAC informou ainda que a documentação da aeronave e da tripulação estão em situação regular. O resultado da investigação deverá ser conhecido em 90 dias.
De acordo com o piloto-chefe da Varig, que conversou ontem durante uma hora com o piloto Sérgio Lott na empresa, o vôo ‘‘foi normal e o avião estava em perfeitas condições de manutenção’’. Segundo ele, o Boeing estava em altitude e velocidade maiores que o normal, quando chegou no nível da cabeceira da pista. O piloto ainda teve que desviar o avião para a direita, para que não caisse no mar.

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