Varejo reduz juro para acelerar vendas
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domingo, 22 de agosto de 1999
Por Vera Dantas e Márcia de Chiara 
São Paulo, 23 (AE) - Grandes redes de varejo estão cortando os juros pela metade de algumas linhas de produtos e vendendo no crediário sem entrada para acelerar a recuperação das vendas, neste segundo semestre, que continua lenta.
A rede Casas Bahia, por exemplo, reduziu hoje os juros mensais de 6,6% para 3% para eletrodomésticos de grande porte, como geladeiras, fogões, máquinas de lavar, e telefones celulares. No caso de móveis, a rede passou a oferecer a possibilidade de o cliente parcelar o preço à vista em até dez vezes, sem acréscimo.
A redução, explica o gerente de Crédito, Celso Amâncio, vai até o fim deste mês e poderá ser estendida para outras linhas de produtos. Com essa promoção nas taxas de juros, para pagamentos em até oito vezes, a rede pretende ampliar em 50% as vendas, que em julho empataram com o mesmo período de 1998.
Na disputa para trazer o consumidor de volta às compras, a Lojas Cem está vendendo a prazo sem exigência de entrada. "Por enquanto não dá para reduzir os juros", diz o supervisor-geral da rede, Valdemir Colleone, alegando que a inadimplência continua alta. "Para nós, não existe mágica", diz o executivo, informando que a sua taxa de juros para os planos de cinco vezes é de 3%.
Desde que aboliu a entrada, no início de julho, a Lojas Cem registrou aumento nas vendas. Em agosto, a empresa já está com crescimento de 15% em relação a igual período de 1998 e espera fechar o mês com alta de 20%.
O Ponto Frio passou a cobrar juros de 3,9% ao mês no início de agosto para alguns eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Nos demais produtos, os juros vão até 7,5%, nos planos em até 13 vezes. Segundo o diretor de Marketing, Mauro Multedo, a empresa está faturando neste mês mais que em julho e em agosto do ano passado.
As consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) indicam que a recuperação da atividade econômica está lenta. Em julho, na comparação com julho de 1998, observa o economista Emílio Alfieri, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), as consultas ao SCPC apenas empataram. Neste mês, até o dia 22, a média diária de consultas indica um resultado um pouco melhor com crescimento de 4,4% em relação ao mesmo período em agosto do ano passado. Já as consultas ao Telecheque no mesmo período em agosto estão com queda de 7,10%.


