São Paulo, 15 (AE) - A retomada da atividade no segundo semestre deste ano deve contribuir para melhorar o desempenho de alguns setores, cujas vendas ficaram deprimidas nos primeiros seis meses. Varejo, indústria eletroeletrônica, de alimentos e também a têxtil devem reagir positivamente, avalia Gabriel Coutinho Jafet, sócio-diretor da Oryx Asset Management. "Juros mais baixos e a volta do crédito devem estimular os negócios destes setores", avalia Jafet.
"A expectativa é de que os números do segundo semestre de 1999 sejam melhores do que os do segundo semestre do ano passado", observa Flávio Conde, analista-chefe da Lloyds Asset Management (LAM). Entre os fatores que devem ajudar o desempenho das empresas, Conde cita uma taxa de juros menor - na média - e ritmo de crescimento mais acelerado (a previsão é de que a economia cresça entre 3% e 4% na comparação com o segundo semestre do ano passado).
Ele também acredita que os setores de consumo, como eletroeletrônicos, varejo, material de construção, bebidas e fumo possam melhorar. Quando a economia entrar em um ritmo mais consistente (se o PIB do ano 2000 crescer 3,5%, por exemplo), Conde avalia que estes setores podem liderar em ganhos de receita e lucro, superando os exportadores. "A base de comparação destes segmentos será fraca, enquanto os exportadores já estão melhorando em 1999", explica.
Setores - A comparação simples do resultado total conseguido nas 41 empresas analisadas pela Economática, empresa especializada em softwares de informações empresariais, embute uma generalização com a qual os analistas não concordam. Quando o resultado do primeiro semestre de 1999 é decomposto por setores, muitas diferenças aparecem.
Como esta primeira análise reuniu 41 companhias, não foi possível isolar setores de atuação porque as amostras ficariam pequenas. Os analistas, contudo, conseguem identificar tendências setoriais observando algumas áreas de atuação. A receita cresceu entre as empresas que operam com exportações (setor siderúgico, papel e celulose, entre outros), para quem foi beneficiado pela substituição de importações (têxteis) e em alguns serviços (telecomunicações), pondera Fernando Exel, presidente da Economática.
"O crescimento da receita líquida das empresas que exportam e das companhias de telecomunicações mais que compensam a queda em outros segmentos", pondera Conde, da Lloyds Asset Management, analisando a lista das 41 companhias abordadas no estudo da Economática.
Caso estes dois setores fossem isolados da amostra, Conde acredita que o lucro operacional não existiria para uma boa parte das demais empresas. Dan Cohen, da Hedging-Griffo, observa que as companhias que operam com exportação, como a Aracruz Celulose e a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), foram beneficiadas com a desvalorização e quem comprou ações destas empresas no início do ano conseguiu ter bom retorno dos seus investimentos. No caso da Petrobrás, observa Cohen, a valorização das ações ficou acima do Ibovespa e do reajuste acumulado dos combustíveis.
Entre o fim de dezembro de 1998 e 11 de agosto deste ano
a ação teve uma valorização de 83%. "Agora, ela já não deve subir tanto", avalia.

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