Varejo de SP encerra junho com inflação de 1,50%
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domingo, 04 de julho de 1999
Por Denise Carvalho 
São Paulo, 5 (AE) - O comércio varejista da região metropolitana de São Paulo encerrou o mês de junho com inflação de 1,50% em relação a maio, que chegou a registrar 1,66% de alta. Apesar de pequena, a variação negativa indica que os preços estão caindo no varejo paulista, fato que se repete há duas semanas.
A variação dos preços da 4ª semana de junho em relação à semana imediatamente anterior foi de -0,12%. No índice ponta-a-ponta, que mede a variação dos preços da semana de referência em relação à mesma semana do mês passado, a inflação ficou em 0,38%.
Os dados estão na pesquisa Índice de Preços no Varejo (IPV), elaborada e divulgada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP), em parceria com a AGÊNCIA ESTADO.
Os grupos responsáveis pela alta observada em junho foram os de móveis e decorações (4,40%), vestuário (4,41%), produtos farmacêuticos (3,20%) e veículos (4,38%). Destaque para os produtos farmacêuticos, que já estão pesando mais na formação do índice inflacionário do que os eletrodomésticos.
Só nos últimos 15 dias, o setor registrou aumento de 6%. Segundo o economista da FCESP, Miguel Supico, a indústria química tem conseguido repassar os custos de importação e os aumentos determinados pelo governo. "O consumidor não adia a compra de remédios, mesmo quando os preços estão altos, como faz com outros produtos", avalia Supico.
No ano, os produtos farmacêuticos já subiram 16,25%, quase 31% acima da inflação verificada no varejo, desde julho de 1994, data da implantação do Plano Real.
O setor de móveis também impos um reajuste de 36,5% acima da inflação do varejo no mesmo período. Segundo Supico, este grupo está se comportando como commodities porque tenta igualar os preços internos com os preços do mercado internacional. "Não se trata de um caso de demanda aquecida. Como o segmento de farmácias, o grupo de móveis repassa o choque de custos atrelados ao valor do câmbio", explica.
Já os preços do setor de vestuário, continuam perdendo fôlego. Apesar de apontar índices positivos no conceito ponta-a-ponta (2,53%) e variação semanal de 0,68%, o grupo de vestuários apresentou no período quadrissemanal (média dos preços das quatro últimas semanas em relação à média das quatro semanas imediatamente anteriores) uma alta de 4,41% ante 5,48% no mês passado em relação abril.
"A euforia por causa da queda dos juros e a demanda por artigos de vestuários estão se esgotando", explica Supico.
Os preços dos alimentos, ao contrário do grupo vestuário
encerraram o mês com uma variação perto de zero. Na avaliação do economista, já era esperado que o segmento perdesse o papel de âncora da inflação no varejo em razão do comportamento recente da taxa de câmbio. "O aumento da oferta de alimentos foi mais significativo, e os preços continuaram caindo.
Nesta semana, o ponta-a-ponta registrou taxa de -0,81% e a variação semanal alcançou -1,70%, o que sugere nova previsão de queda dos preços", estimou Supico.


