Varejo confirma o impacto do reajuste do preço dos plásticos
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segunda-feira, 07 de fevereiro de 2000
Por Viviane Mottin 
São Paulo, 07 (AE) - Embora os transformadores de plásticos não tenham conseguido repassar integralmente os reajustes da matéria-prima, de 70% a 110%, de janeiro de 1999 até o mês passado, o varejo sente o impacto do aumento dos preços de bens de consumo e, principalmente, das embalagens. Do saquinho que envolve frutas, verduras e legumes, aos frascos para produtos de limpeza, garrafas para refrigerantes e até as sacolinhas que acomodam as compras nos supermercados, os plásticos descartáveis estão mexendo com os preços dos produtos de consumo final.
"O que determina o ritmo da negociação é a venda: sobe o preço e a venda cai. Então, chamamos os fornecedores para conversar", ensina o presidente da Associação dos Supermercados do Mato Grosso (Asmat), Altevir Pierozan Magalhães. Dessas negociações, saem soluções como a fabricação de itens de menor valor agregado, e a reavaliação do mix de produtos, na tentativa de adequá-los ao bolso do consumidor.
UD na mira - A redução do valor agregado, informa Altevir Magalhães, pode ser vista nos baldes plásticos. "Hoje, as antigas lojas de US$ 1,99 que passaram a R$ 2,99, substituem as compras de 50 unidades de baldes plásticos para 30 litros, pelas de 150 unidades para 20 litros cada um", revela o presidente da Asmat. O aumento do preço das utilidades domésticas em geral variou de 8% a 30%, sendo que a maioria ficou na faixa dos 16%, afirma o presidente da Associação Sergipana de Supermercados (Ases), Manoel Barbosa de Andrade.
Já o presidente da Associação Amazonense de Supermercados (Amase), José Mário Assayag, diz que naquele Estado as utilidades domésticas tiveram reajustes de 10% a 12%. "Porque a massa salarial do País diminuiu muito", justifica José Assayag. No ano passado, diz ele, a inflação no atacado chegou a 20%, enquanto no varejo foi de 9% por causa da pressão dos consumidores. "Se aumentássemos os preços, os produtos ficariam nas prateleiras. E em janeiro e fevereiro não há como repassar os preços, porque o dinheiro é consumido em matrícula e material escolar", lembra o presidente da Amase.
De acordo com ele, a pressão dos reajustes é mais forte sobre os pequenos, para os quais os aumentos de preços é sempre maior. "No Brasil, cerca de sete grandes redes supermercadistas controlam 48% do setor", compara. Para o presidente da Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj), Aylton Magno Ferrari, o reajuste dos produtos plásticos em geral, ao longo de 1999, foi de 20% a 50%.
Tubaína ameaçada - As dez associações de supermercados consultadas são unânimes na afirmação de que a palavra de ordem, no ano passado, foi a negociação com os fornecedores, para que seus próprios produtos não tivessem que sumir das prateleiras, pelo simples desinteresse dos consumidores. Desinteresse motivado pelo orçamento apertado, que faz com que determinados itens reajustados sejam substituídos por outros. Exemplo é a garrafa de PET, único plástico com barreira para o gás dos refrigerantes.
"O custo das embalagens pesa mais em produtos populares
como as tubaínas", avalia o vice-presidente da Associação Gaúcha dos Supermercados (Agas), Antonio Cesa Longo. No ano passado, os refrigerantes de marcas regionais, popularmente conhecidos por tubaínas, tiveram reajuste de 5% a 6% só por conta dos acréscimos no preço do PET.
"Antes de repassar o reajuste ao consumidor final, ganhamos tempo na negociação com o fornecedor, usando nosso estoque de 15 dias em média", detalha Antonio Longo. "As marcas de refrigerantes que têm o preço aumentado por causa do PET estão sendo substituídas por outras tubaínas", constata o presidente da Associação Catarinense de Supermercados (Acats), João Batista Lohn.
Vinagre no feijão - "O plástico conquistou mercado e soltou as garras. Mas, talvez a indústria volte a usar o papelão
a julgar pelo que vem acontecendo", observa o presidente da Associação Goiana de Supermercados (Agos), Gilberto Soares da Silva. Há quatro meses, demonstra ele, o saco plástico representava 2,5% do preço total de um quilo de feijão. Hoje, calcula, saltou para 3,75% do custo, o que representa acréscimo de 50%. "Os transformadores estão repassando em doses homeopáticas o aumento do preço da matéria-prima; repassam 10% ao mês", completa Gilberto da Silva.
O preço do vinagre, que vem sendo ajustado e justificado por problemas ocorridos na produção da uva, também tem seu componente plástico. "O aumento do vinagre foi mais forte ainda por causa da embalagem de plástico (PET), que nesse caso representa 10% do custo final do produto ao consumidor. Os produtos de limpeza vendidos em frascos também tiveram reajuste médio de 12%, por conta dos aumentos do plástico, garante o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de São Paulo, Wilson Tanaka.
Sacolas - Vale tudo para reduzir o custo da sacola plástica. Desde a entrega a domicílio, sistema que dispensa as sacolas, trocadas por caixas de papelão reutilizadas. Passando pela redução da espessura da sacola - o que pode virar prejuízo, já que o consumidor desconfia da fragilidade e passa a usar duas sacolas, uma dentro da outra. Compra centralizada, com pedidos quinzenais da matriz direto ao fabricante, é outra estratégia econômica dos supermercados. Já as grandes redes convocam fornecedores a patrocinar as sacolas, com direito a estampar sua marca no produto. De acordo com a numerologia dos supermercadistas, as iniciativas têm surtido efeito.
"Reduzimos os custos operacionais para não sentirmos o impacto do aumento de preço da matéria-prima", explica o vice-presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Pedro Zoanir Zonta. Mas, depois do novo aumento, em janeiro (10% na indústria de resinas e 20% nas distribuidoras para os pequenos transformadores de plásticos), diz ele, os supermercadistas não sabem como reagir. "Ainda não cogitamos substituir o plástico pelo papel ou outro material, porque não há alternativa mais econômica", pondera Pedro Zonta.
Carestia na sacola - No Rio de Janeiro, o milheiro das sacolas teve reajuste de 25%, enquanto em Santa Catarina saltou de R$ 17,00 para R$ 27,00 - reajuste de 60%, que representou perda de 4% no lucro das pequenas redes, em 1999. Em Goiás, também houve aumento de 60% no preço de mil unidades de sacolas plásticas, que passaram de R$ 14,00 para R$ 22,00, do primeiro para o segundo semestre do ano passado.
No mesmo período, em São Paulo, os aumentos de 6% a 7% fizeram com que a espessura da sacola fosse reduzida de 0,6 milímetros para 0,5 milímetros. Mas os supermercadistas questionam o êxito da mudança, porque o consumidor passa a utilizar mais de uma sacola, por segurança.
Em Sergipe, o custo das sacolas para os supermercados aumentaram até 20%, nos últimos 12 meses. E em Rondônia, o milheiro pulou de R$ 12,00 para R$ 18,00, no mesmo período, fazendo com que as redes procurassem de 4 a 5 patrocinadores para imprimir suas marcas na sacola e assim dividir o prejuízo. No Rio Grande do Sul, o salto foi de R$ 25,00 para R$ 30,00, pelo milheiro padrão, e deverá aumentar mais 20% a 30% nesse início de ano, prevê o vice-presidente da Agas, Antonio Longo.


