Curitiba - A Vara Especializada em Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, inaugurada ontem em Curitiba, vai investigar a evasão de cerca de US$ 30 bilhões através da agência Banestado de Nova York (leia mais sobre o assunto na página 4). Dos 803 processos em tramitação no Paraná, envolvendo crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, cerca de 500 inquéritos correspondem à evasão de divisas a partir de Foz do Iguaçu através das contas CC-5.
Esses inquéritos serão centralizados na vara especializada, assegurou o ministro Nilson Naves, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Naves esteve em Curitiba para prestigiar a criação da vara especializada em crimes de lavagem de dinheiro da Capital, que na sua opinião será a mais importante do País. Além de Naves, estavam presentes o presidente do Tribunal Regional Federal (TRF), da 4 Região, desembargador federal Nylson Paim de Abreu, o ministro do STJ, Gilson Dipp.
De acordo com Naves, a presença dessas autoridades visa respaldar o trabalho que será feito pelos juízes Sergio Fernando Moro e Bianca Cruz Arenhart, que serão o titular e substituta da vara especializada. Estão sendo criadas varas especializadas também em Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS), estados onde tramitam hoje 1.502 inquéritos de lavagem de dinheiro.
Os ministros do STJ rebateram alguns procuradores que criticam a centralização dos inquéritos nas varas especializadas. Segundo eles, a especialização é uma necessidade para enfrentar a organização do crime que está pelo menos há três passos à frente do poder público. A especialização foi uma decisão da comissão formada por órgãos como Receita Federal, Ministério Público Federal, Polícia Federal, Banco Central e juízes federais, que acreditam que só o aprofundamento do conhecimento de juízes e procuradores em crimes financeiros poderá levar à punição.
''Esses inquéritos não podem ser propriedade desse ou daquele procurador'', disse o desembargador Nylson de Abreu. O processo é da sociedade que reclama punição para esses crimes. ''Aliás, esses crimes só têm aumentado porque não há punição'', disse o ministro Naves. A investigação desses crimes exige conhecimentos de informática, do sistema financeiro e de interceptação de telefones.

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