Vão sobre ponte na BR-116 faz parte do projeto, assegura Dnit
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quarta-feira, 02 de fevereiro de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Uma foto apresentada pela Prefeitura de Campina Grande do Sul, cidade onde caiu a ponte sobre a represa Capivarí/Cachoeira, na BR-116, mostra que entre 1999 e 2003 um buraco de quase meio metro teria surgido exatamente no pilar onde a ponte ruiu. A foto foi usada no calendário anual de pontos turísticos da cidade, produzido pela prefeitura. O Departamento Nacional de Infra-estrutura Terrestre (Dnit) afirma que a abertura faz parte do projeto da ponte.
A prefeita de Campina Grande do Sul, Nelise Cristiane Dalprá, afirmou que antes nunca ninguém tinha reparado na fenda, já que as fotos são tiradas para um calendário. Depois do acidente o vão chamou a atenção. ''A gente só está mostrando isso para ver se o Dnit toma uma atitude. Não queremos que parte do nosso município fique isolado. E também pelo constrangimento. Temos um parque ecológico embaixo da ponte que caiu'', afirmou a prefeita.
O coordenador do Dnit no Paraná, Rosalvo Gizzi, ficou irritado com a declaração da prefeita. ''Ela (prefeita) tem que cuidar da prefeitura, pois não tem qualificação profissional nenhuma para falar uma coisa dessas.'' Segundo Gizzi, uma das fotos da prefeitura foi feita antes da reforma na ponte, que começou no dia 1º de dezembro de 1999. ''Dá para ver só pelo guarda-corpo de cada uma, que é diferente. E a fenda faz parte do projeto da ponte. Do outro lado, é só olhar, é igual. Só que antes da reforma ele era tampado com massa corrida. Esse vão ajuda a fazer a curva'', afirmou.
As contestações com relação ao acidente continuam. O Ministério Público (MP) federal está apurando as responsabilidades pelo acidente através de investigação criminal. O senador Osmar Dias (PDT) anunciou que vai requerer ao Tribunal de Contas da União (TCU) um pronunciamento sobre a queda da ponte. Isso porque, segundo ele, o ''fato agride a Lei de Responsabilidade Fiscal, já que as autoridades federais teriam desviado recursos que era para a recuperação de estradas.
Gizzi afirmou que nos últimos 10 anos o Dnit recebeu pouco dinheiro para a conservação das estradas. Em 2003, exemplificou, apenas 20% das rodovias paranaenses tinham contratos de manutenção. ''Nos últimos dois anos todas as estradas passaram a ter contratos de conservação. E esse ano o orçamento do Dnit vai triplicar para todo o Brasil, ultrapassando R$ 6 bilhões'', afirmou. Porém, as consideradas obras de arte, como pontes, não têm contratos de manutenção até hoje. Mas Gizzi justifica dizendo que isso não é preciso porque elas são inspecionadas e só precisam de manutenção esporadicamente.


