Vantagens de seguir a culinária japonesa
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segunda-feira, 05 de novembro de 2007
Lola Felix<br>Agência Estado 
Hideko Honma, 53 anos, não vai muito longe quando busca modelos para um envelhecimento saudável. Enquanto outras mulheres da mesma idade se espelham em sexagenárias famosas, ela busca conselhos com seus pais, Masatoshi Setani, de 85 anos, e Kazuko Setani, de 79 anos. ''Eles caminham, praticam esportes, viajam'', diz Hideko, 1m50 de altura e 49 quilos. Kasuko e Setani também ensinaram à filha a importância de uma dieta à base de peixe, soja, arroz, vegetais e frutas.
Este é o segredo número 1 revelado por Naomi Moriyama e William Doyle em seu livro ''Mulheres japonesas não envelhecem nem engordam'' (Editora Rocco, tradução de Sabine Dorle Krzikalla, R$ 34). Consultora de marketing, Naomi e o marido, co-autor do livro, adoram comida japonesa. Ela não dispensa uma pizza ou um doce de vez em quando, mas sabe o valor da culinária ensinada por sua mãe.
''Há um país onde as mulheres vivem mais tempo do que em qualquer outro lugar na Terra. É um lugar onde existe a menor obesidade do mundo desenvolvido. Onde mulheres de 40 anos parecem ter 20'', escreve a autora do livro sobre o Japão.
É claro que há um tanto de genética envolvida nesta história, mas o estilo de vida fala alto. Prova disso é que os japoneses que se ocidentalizam podem sofrer com hábitos de vida nocivos. Um exemplo é a porcentagem de diabetes em nipo-brasileiros: ela aumentou de 22,6% para 36,1%, entre 1993 e 2000, segundo dados do grupo Japanese-Brazilian Diabetes Study Group (JBDSG), que reúne pesquisadores da USP e Unifesp. No Japão, este número é de apenas 6,9%, segundo o Atlas da Federação Internacional de Diabetes.
''No Brasil, 20% dos japoneses são obesos. No Japão, este percentual diminui para 10%'', diz o endocrinologista Mauricio Hirata, da clÍnica Bio Hirata. Entre as mulheres que vivem lá, este número é ainda menor, como consta no livro de Naomi Moriyama: apenas 3% são obesas. Se os bons hábitos japoneses são assim tão benéficos, como tirar proveito deles? No livro, Naomi dá detalhes sobre o que ela considera os sete segredos da cozinha de sua mãe.
Alguns deles são velhos conhecidos de endocrinologistas e nutricionistas. ''A comida japonesa tem um teor de gordura menor. Além disso, eles consomem muitos legumes cozidos, frutas e soja'', diz a nutricionista Cibele Crispim, da Unifesp.
Hirata, que tem 1m82 e pesa 79kg, diz que um dos grandes segredos japoneses é sair da mesa sempre com um pouquinho de fome. ''Eles comem várias vezes ao dia, pequenas porções. Nunca se enchem de comida'', diz ele, que tem 45 anos, com carinha de 35.
Segundo o endocrinologista, o ocidental que seguir a dieta japonesa pode, sim, se dar bem. No entanto, há algumas contra-indicações. ''Hipertensos, por exemplo, podem sofrer com o excesso de sódio no glutamato e no molho de soja'', diz Cibele. A dieta perfeita ainda está para nascer.
DICAS DE NUTRIÇÃO
- Estudos comprovam que a soja previne doenças como câncer (principalmente o de mama, próstata e cólon), pois a isoflavona inibe a atividade da enzima que causa o crescimento das células cancerígenas. Reduz a incidência de mal de Alzheimer e as taxas do colesterol, entre outras. Mas, para isso, além da soja, é necessária uma combinação de dieta balanceada e de hábitos saudáveis, como praticar esportes. A soja estimula o funcionamento do intestino, pois possui fibras, ajuda a diminuir o nível de glicose no sangue e também é o único vegetal com proteína, que pode equivaler às proteínas do ovo, leite e carnes.
- A soja possui fibras, minerais como ferro, potássio, fósforo, cálcio, vitaminas do complexo B e ácidos graxos. Para a mulher, a soja pode amenizar os sintomas da menopausa e da TPM, graças à isoflavonas, pois equilibra a quantidade do hormônio estrógeno no corpo feminino, além de prevenir a osteoporose pois, além de conter o hormônio (fitoestrogenios) responsável na síntese óssea, ainda contém cálcio. (L.F./A.E.)


