Winnipeg, Canadá, 06 (AE) - Vânia Ishii passou a noite de hoje em claro. "Não consegui dormir de tanta alegria", explicou a atleta, única judoca brasileira a conquistar a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos. A primeira coisa que fez depois da vitória foi ligar para sua casa, na capital. O telefonema acordou o pai, Chiaki Ishii, que, com um bronze em 1972, foi o primeiro medalhista olímpico da história do judô do Brasil.
"Falamos um pouco, ele me disse parabéns e depois desligou o telefone", contou a judoca, acostumada com o jeito comedido do pai. "Ele é bem japonês: não costuma demonstrar muito as emoções, mas sei que ficou contente." Segundo ela, Chiaki é o tipico pai oriental. "Se eu ganho por ippon, ele diz: mas olha como você segurou esta manga!", lembrou. "Está sempre achando que eu posso melhorar." Foi do pai a dica que a ajudou a conquistar os Jogos Pan-Americanos.
"Ele voltou da Olimpíada de Atlanta dizendo que a maioria dos judocas estava variando os golpes, a partir de outros tipos de luta, e que eu precisaria fazer o mesmo", disse. Na ocasião, Vânia conheceu seu atual treinador, o cubano Eugênio Fuentes, técnico de luta livre. "Eu estava passando pela academia quando ele pergutou porque eu estava mancado e eu respondi que tinha passado por uma cirurgia no joelho", conta. "Já estava procurando aprender algum outro tipo de luta e pedi para treinar com ele depois de recuperada."
Fuentes, que é fisioterapeuta, afirmou que não só ia treiná-la como ajudaria na sua recuperação e a parceria permanece. "Ele treinou muito a parte física e técnica", explica. Segundo ela, um dos trabalhos mais importantes foram os circuitos, séries de diversos exercícios que tem como objetivo melhorar a força e a resistência. "Foi muito duro, mas agora sei que valeu a pena." Além da medalha, Vânia também comemorou bastante a vaga conquistada para o Campeonato Mundial, privilégio que a Confederação Brasileira de Judô (CBJ). A entidade havia estabelecido que os judocas que ganhassem o ouro não precisariam passar pela seletiva brasileira para a competição, que será em outubro, na cidade de Birmingham, Inglaterra.
"Sei que por causa da vitória aqui minhas adversárias irão me estudar mais, mas isso acontece com todo mundo no judô e estou preparada para isso." A judoca, da categoria menos de 63 quilos, ganhou por pontos da norte-americana Celita Schultz por wazari. O bronze ficou com a Dominicana Vargas Reyes e a cubana Rodrigues Ocaña.
CANTO - A alegria de Vânia contrastou com a decepção de Flávio Canto, medalha de prata na categoria menos de 81 quilos. Na final, ele perdeu por koka para o cubano Gabriel Arteaga Risquet. O bronze ficou com o argentino Gaston Garcia e o canadense Maxime Roberge. "Estou meio chateado, acho que só vou conseguir apagar esta derrota com um grande resultado, quem sabe agora no Mundial", disse o brasileiro, que esperava conquistar o ouro.
O resultado foi muito contestado pelos outros atletas e técnicos brasileiros, que reclamaram de omissão da arbitragem. "Acho que não é crítica construtiva, na verdade acho que faltou técnica para derrubar o cubano", avaliou. "O melhor é admitir que perdi mesmo e bola para frente."

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