Londrina – Oito anos e seis meses. Esta foi a condenação, em regime semiaberto, sentenciada ontem pela Justiça à artista plástica Vanda Pepiliasco, acusada de matar a doméstica Cleonice de Fátima Rosa, há 22 anos, no apartamento da família, em Londrina. O crime ocorreu no dia 10 de julho de 1993, em um edifício de alto padrão, na Rua Goiás, centro da cidade, sem nunca antes ter sido julgado ao longo desses anos. A juíza responsável pelo caso no Tribunal do Júri foi a magistrada Elizabeth Kather, da 1ª Vara Criminal. Vanda poderá recorrer da decisão em liberdade. O advogado dela, o criminalista Walter Bittar, informou que vai recorrer da decisão.
Em março, o julgamento de Vanda chegou a ser marcado, mas foi adiado pela falta de testemunhas da ré. Ao todo, 12 testemunhas foram arroladas pela defesa e acusação no processo. No entanto, ontem apenas cinco participaram do julgamento, sendo três de acusação e duas de defesa. Testemunharam na sessão um vigia que trabalhava no prédio no dia do assassinato, dois peritos, um dos policiais que atenderam o caso e o esposo da artista plástica, Lauro Pepiliasco. Vanda também esteve presente no julgamento. Ela e a família vieram de Cuiabá para a audiência.
Apesar de a defesa tentar desqualificar as provas do processo, como exames de DNA com fios de cabelo encontrados no corpo da vítima e que seriam de Vanda, a tese de que a ré teria participado do assassinato com o filho Leonardo, na época com 14 anos, foi aceita pela maioria dos jurados. Segundo sustentou a Promotoria, Leonardo teria imobilizado a doméstica e Vanda a cortou no pescoço com uma faca. O rapaz teria, conforme o Ministério Público, algum relacionamento com a vítima. Ele chegou a ser processado pela Vara da Infância, mas teve o processo extinto por não ter sido julgado até completar 21 anos.



SUBORNO
A juíza Elizabeth Kather argumentou que a condenação de Vanda considerou o fato de que ela teria tentado subornar uma das testemunhas, oferecendo dinheiro para que o vigia mudasse seu depoimento. Na época, o marido dela também teria feito fotos da casa da testemunha para intimidá-la. Além disso, outra empregada da família na época, Luzia Colombo, foi exposta à situação vexatória, tendo sido torturada por policiais para confessar um crime que não cometeu. "Quando souberam da morte, os patrões não esboçaram reação de supresa. Antes mesmo de verem o corpo, já diziam que era um suicídio. Ela [Vanda] mostrou desprezo por pessoas simples e humildes", disse Elizabeth, ao ler sua sentença.
O advogado Walter Bittar entregou ontem à juíza o passaporte da cliente. A medida faz parte da determinação da magistrada. Ele também informou que vai recorrer da condenação, em especial porque a juíza abordou no julgamento ameaças sofridas por Luzia. "Ela contaminou o processo, provavelmente vai gerar nulidade. Já tinha pedido desaforamento [julgamento em outro fórum] porque haveria pressão da opinião pública", comentou. Bittar reforçou que vai continuar pleiteando a inocência da cliente. As provas que constam nos autos, segundo ele, não provam autoria do crime.

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