Amã, 07 (AE-REUTERS) - A notícia já era esperada havia três dias, mas nem por isso causou menos comoção. "O gabinete lamenta e anuncia para o querido povo jordaniano e para a irmanada nação árabe a morte do maior dos homens, sua majestade, o rei do Reino Hachemita da Jardânia, a quem Deus escolheu para estar a seu lado às 11h43 (7h43 de Brasília)", informou hoje (07) a TV estatal.
Minutos depois, centenas de pessoas que se concentravam na frente do Complexo Médico Hussein, em Amã - onde, desde sexta-feira, aparelhos mantinham artificiamente a vida do rei -, choravam compulsivamente. Algumas gritavam histericamente e rasgavam suas roupas.
O filho de Hussein, Abdullah, designado herdeiro do trono e nomeado príncipe regente pelo Parlamento jordaniano na véspera, recebeu a coroa horas depois da morte do pai numa cerimônia sumária.
Em seu primeiro discurso dirigido ao povo, prometeu levar adiante a política estabelecida por Hussein, o soberano que transformou a Jordânia num Estado de direito e dedicou parte de sua vida a assegurar a paz no conturbado Oriente Médio.
"O rei Hussein foi um pai para cada um de vocês, do mesmo modo que foi meu pai", disse o novo soberano - agora, Abdullah II. "Hoje, vocês são meus irmãos e irmãs e são muito caros para mim", prosseguiu." Vamos continuar trilhando o curso estabelecido por Hussein; peço a todos que pemaneçam unidos, como uma só família."
Abdullah tinha sido nomeado herdeiro da coroa por Hussein no dia 25, quando o monarca retornou dos EUA para a Jordânia pilotando seu avião e anunciando que tinha vencido o câncer contra o qual lutava, pelo menos, desde 1992.
O irmão do rei, príncipe Hassan, foi destituído por Hussein do direito de sucessão - depois de 34 anos como herdeiro do trono -, sob a acusação de promover intrigas palacianas.
Hussein, de 63 anos, porém, não tinha conseguido vencer a doença, como anunciara. Dias depois voltou à Clínica Mayo, em Rochester, onde se submeteu a um transplante de medula óssea. A rejeição obrigou os médicos a uma segunda tentativa de transplante, também malsucedida.
Com a falência de vários órgãos vitais, restou à família de Hussein apenas a alternativa de fazer cumprir o manifestado desejo do rei de morrer em seu país. Quando chegou à Jordânia, já estava em estado de morte clínica.
Na clínica em Amã, o fígado e o único rim que Hussein tinha deixaram de funcionar no sábado. Segundo fontes do governo jordaniano, a família não quis prolongar a agonia submetendo o rei a uma sessão de hemodiálise.
Na véspera, contudo, a família real decidiu não desligar os aparelhos que mantinham Hussein vivo. Um dos membros da família informou que todos os filhos de Hussein, além da mulher, a rainha Nur, estavam na cabeceira da cama dele quando o coração do rei parou de funcionar.
O governo jordaniano anunciou que o Hussein será sepultado amanhã, antes das orações muçulmanas da tarde no cemitério familiar que fica ao lado do palácio real, na Colina Jebel al-Hussein, em Amã.
O luto oficial na Jordânia vai durar 40 dias. Nos três primeiros dias desse período, nenhuma loja vai abrir no país. Durante toda a vigência do luto, cinemas e casas de espetáculo não funcionarão e as bandeiras serão hasteadas a meio pau.
Cerca de 40 chefes de Estado e governo - entre os quais o presidente americano, Bill Clinton, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e o chefe do gabinete israelense, Benjamin Netanyahu - anunciaram intenção de comparecer ao funeral. Descendente direto do profeta Maomé, Hussein assumiu o trono na Jordânia há 46 anos.

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