Recife- O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fez ontem mais seis invasões em Pernambuco, num total de 13 desde o final de semana. Ações dentro da nova estratégia do movimento de desconhecer abertamente a Medida Provisória que impede a desapropriação de terra ocupada. Estão previstas mais 20 ocupações no Estado até 17 de abril, aniversário do massacre de Carajás, quando 19 sem-terra foram mortos pela polícia em Eldorado de Carajás, sul do Pará,
Segundo o MST, 4.290 famílias foram mobilizadas nas ações. ''Vamos infernizar a vida do latifúndio'', afirmou o líder do MST em Pernambuco, Jaime Amorim. Ele parodiou o líder nacional do movimento, João Pedro Stédile, que prometeu ''infernizar o País'' com uma onda de invasões.
''Esperamos que o governo possa aproveitar a pressão dos trabalhadores para avançar na execução da reforma agrária'', afirmou ele. Amorim apontou dois problemas que o governo federal precisa enfrentar para fazer a reforma agrária: estruturar o Incra e democratizar o Poder Judiciário.
Na avaliação do líder isso é mais importante do que revogar a MP que impede desapropriação em área ocupada. ''O Poder Judiciário é arcaico, atrasado e reacionário'', disse ele, ao apontar a Justiça como um grande obstáculo à desapropriação de terras.
O superintendente regional do Incra, João Farias, demonstrou preocupação. ''São áreas perdidas por dois anos'', observou ele, dificultando a meta a ser cumprida pelo órgão até o final do governo Lula, de assentar 25 mil famílias no Estado. Para Farias, a pressão exercida pelo movimento se reflete contra eles mesmos e contra o Incra. ''Eles são contraditórios. Pressionam para agilizar e ao mesmo tempo atrasam.''
A Polícia Militar de Pernambuco informou que só irá agir mediante ação judicial nas áreas invadidas. Até o final da tarde de ontem ela não havia sido acionada e nenhum conflito havia sido registrado.
O coordenador da Organização da Luta no Campo (OLC), João Santos, disse que
as ações deram início à jornada pela reforma agrária que deverá registrar 40 ocupações de terra até maio, com o objetivo de acelerar a reforma agrária.

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