A indenização extrajudicial pelos danos causados pelo desabamento do Edifício Palace 2, implodido após o acidente, dividiu os moradores do condomínio. A Associação de Vítimas do Palace 2, decidiu, em reunião realizada na noite de sábado, não aceitar os termos das indenizações oferecidas pelo deputado federal Sérgio Naya, dono da Sersan, empresa que construiu o imóvel. A presidente da associação, Rauliete Barbosa Guedes, criticou a viúva de uma das vítimas, Margarida Fontes, que homologou o acordo na semana passada.
‘‘Essa pessoa era amiga deles, nunca ficou conosco, sempre esteve mais do lado da Sersan’’, acusou Rauliette, que chegou a convocar manifestação em frente ao condomínio Palace contra os acordos. ‘‘Se para ele, que morreu, a indenização foi de R$ 24 mil, imagine para pessoas que não tiveram parente morto’’, afirmou, referindo-se ao valor pago como compensação por danos morais a Margarida. Segundo a presidente da associação, o valor justo para as famílias que perderam apenas o apartamento seria de 500 salários mínimos.
O presidente da Associação dos Defensores Públicos, Luis Paulo Vieira, disse que era um ‘‘delírio’’ a acusação de Fátima ter amizade com os advogados que representam Naya na negociação, Sílvio Viola e Marco Aurélio Monteiro de Barros. Quanto às críticas aos termos do acordo, Vieira informou que ‘‘um núcleo familiar que recebe 800 salários mínimos quase um mês depois de um acidente é uma coisa quase inédita em todo o Brasil’’. Segundo o defensor, ‘‘foi um acordo bastante satisfatório’’.
Os acordos vão ser realizados com base em formulários retirados no escritório dos advogados, nos quais os moradores teriam de declarar bens perdidos e outras informações, para o cálculo da quantia a ser paga. Até agora, já foram retirados 106 formulários.

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