Curitiba - O segundo dia do júri popular da gaúcha Valentina de Andrade foi marcado ontem pela leitura de peças documentais, documentários com cenas de crimes e rituais satânicos realizados na Argentina e o aparecimento repentino de uma testemunha que não havia sido localizada pelo oficial de Justiça. O ex-agente da Polícia Federal José Carlos de Souza Machado, arrolado pela defesa de Valentina, compareceu espontaneamente para depor. Ele afirmou ao juiz Ronaldo Valle que não testemunharia. Caso fosse obrigado a depor, ele disse que iria usar o direito de ficar calado. Mesmo com a afirmativa do ex-agente federal, os jurados votaram pela continuidade da convocação dele para depor na qualidade de informante.
Valentina é acusada de liderar uma seita responsável pela castração e pelo assassinato de dois meninos e de ter provocado lesões corporais em outros três no município de Altamira, no sudoeste do Pará. Os crimes teriam acontecido entre 1989 e 1993. Todos os meninos tinham idades entre oito e 14 anos. Valentina alega inocência. Ela seria a autora intelectual dos crimes, que seriam praticados em rituais satânicos. Valentina também chegou a ser investigada no Paraná por ter supostamente participado do desaparecimento de pelo menos dois meninos, Leandro Bossi (em 1992) e Leonardo de Melo e Silva (em 2000).
A defesa e a acusação protocolaram o pedido de leitura de 185 peças documentais. Somente a defesa, conduzida pelo advogado curitibano Cláudio Dalledone Júnior, pediu a leitura de 153 peças. Durante a exposição de fitas de vídeo no julgamento, Valentina chegou a passar mal. Ela foi atendida pelo médico de plantão Roberto Carvalho Lima. O médico atestou que a gaúcha, que morou por 15 anos em Londrina, está clinicamente bem e que a pressão arterial estava sob controle.
Os documentos e os vídeos indicados pela promotoria são os primeiros a serem lidos e exibidos pelos funcionários do Tribunal do Júri, em Belém. Eles são alternados para não cansar os jurados. O vídeo mais forte que foi apresentado ontem se tratava da cópia de um documentário intitulado ''Crimes e Rituais'', produzido pela TV Infinito, veiculado por uma TV a cabo argentina. O assistente de acusação, Clodomir Araújo, pediu a fita na Videoteca do Instituto de Parapsicologia de Buenos Aires. Os textos foram traduzidos simultaneamente por Maria de Lourdes Castro Rodrigues.
O documentário diz que a religião Lineamento Universal Superior (LUS), que seria comandada por Valentina, é uma seita satânica que realiza rituais de sacrifício humano. A seita seria matinda por 400 adeptos que pagariam mensalmente US$ 500 cada.
A previsão é a de que o julgamento, que acontece no Tribunal do Júri de Belém, dure entre cinco e 15 dias.

mockup