Valeixo pede segurança para testemunhas
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sábado, 08 de novembro de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O desembargador Octávio Valeixo pediu ontem proteção policial para cinco adolescentes e três garotas de programas que foram ouvidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público (MP) estadual durante as investigações que apontaram o suposto envolvimento de autoridades em orgias com adolescentes em uma chácara do distrito de Morro Vermelho, em Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba.
A decisão foi tomada depois que uma adolescente de 16 anos resolveu mudar a versão que havia dado nos autos. Em entrevista a uma emissora de rádio, a adolescente disse que foi pressionada a citar nomes durante depoimento da Polícia Civil. Apesar de não ser acusada de nada, a menina está sendo orientada pelo advogado Wilmar Aloízio Pereira dos Santos. ''A mãe dela me procurou'', declarou ele. A adolescente nega. Ela garante que foi procurada pelo advogado que ofereceu os préstimos gratuitamente.
''Queremos proteção policial para essas garotas para evitar que elas sofram qualquer tipo de pressão para mudar a versão ou confirmar o que disseram nos autos'', analisou o desembargador. O policiamento será feito de acordo com um cronograma da Secretaria de Estado de Segurança Pública. O esquema de segurança não foi divulgado ontem, mas a Secretaria liberou policiais para fazer a proteção. ''Temos que preservar a integridade e a tranquilidade dessas meninas. Vamos evitar inclusive a coação moral.''
Valeixo destacou que essa foi a primeira vez que viu nos autos o protocolo de um advogado querendo defender a vítima. ''Ela não é acusada de nada. Não caberia nesse caso um advogado. Mandei o pedido para que a Procuradoria Geral da Justiça analisasse'', completou Valeixo.
Todo o inquérito foi remetido essa semana para o Ministério Público e deu entrada ontem, no início da tarde, no departamento de assessoria criminal. A procuradora geral de Justiça, Maria Teresa Uille Gomes, garantiu que até terça-feira irá emitir um parecer sobre o caso. Somente depois disso é que o Tribunal de Justiça (TJ) irá convocar os citados pelas denunciantes. ''Eles terão direito de defesa e poderão contar, segundo a versão deles, o que aconteceu de fato'', disse o desembargador. Ontem, a procuradora nomeou o promotor Marcelo Balzer, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), para representar o MP na tomada dos depoimentos dos citados pelas adolescentes.
Autoridades políticas, comerciantes, policiais civis, funcionários públicos e um magistrado estão entre os 20 supostos envolvidos nas ''festinhas'' que eram promovidas semanalmente com as adolescentes. Elas disseram que eram obrigadas a fazer strip-tease e manter relações sexuais em público com os convidados em troca de comida e dinheiro.


