Curitiba - O desembargador Octávio Valeixo, que estava em licença médica no Tribunal de Justiça (TJ), assumiu anteontem o inquérito que apura o suposto envolvimento de autoridades em ''festinhas'' com adolescentes no município de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. Ele já remeteu os autos para a Procuradoria Geral de Justiça, órgão máximo do Ministério Público no Paraná, e aguarda uma manifestação sobre possíveis diligências. ''Enquanto eu não receber os autos novamente e a manifestação do Ministério Público, não irei marcar as primeiras oitivas sobre o caso'', declarou ontem o desembargador.
Nas investigações feitas pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC) e pela Polícia Civil, 18 adolescentes, testemunhas e garotas de programas sugerem a participação de um magistrado, dois policiais civis, um assessor da Prefeitura de Campo Largo, três vereadores, empresários e comerciantes da região nas orgias que eram realizadas semanalmente numa chácara da localidade do Morro Vermelho. ''Foram ouvidas as supostas vítimas e denunciantes. Agora teremos que ouvir os supostos envolvidos'', anunciou Valeixo. Ao todo, são citados os nomes de 20 supostos envolvidos nas ''festinhas''. ''Vamos permitir que eles contem os fatos sob a visão deles. Quero a busca da verdade real.''
Os depoimentos serão marcados para a semana que vem. Todos os supostos envolvidos serão ouvidos no Fórum de Campo Largo. A população e a imprensa serão impedidos de entrar no local porque o processo corre agora em segredo de Justiça. Valeixo ainda não decidiu se irá precisar de investigações complementares da Polícia Civil. Essa semana, ele manteve o contato preliminar com o delegado titular do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Marcus Michelotto, para tomar ciência dos procedimentos realizados por ele.
O desembargador garante que irá trabalhar com isenção, mesmo que seja comprovada a participação de qualquer autoridade, inclusive do Poder Judiciário. ''Se eu fosse submetido a um teste de corporativista, tiraria zero. Não sou corporativista. Acho que essa é uma chaga das instituições públicas. Todos os cidadãos devem ser julgados da mesma forma'', enfatizou.
O inquérito deverá ser concluído em 30 dias. Depois de pronto, será remetido para que o Ministério Público dê um parecer final. Existem três possibilidades: pedido de novas diligências (caso as provas ainda não estejam contundentes nos autos), arquivamento ou oferecimento de denúncia contra os supostos envolvidos.

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