Curitiba - As estatísticas apresentadas pelo Ministério da Justiça não assustaram o desembargador Octávio César Valeixo, estudioso do trânsito há 25 anos. Para ele, o comportamento agressivo no trânsito do curitibano é histórico. ''Antigamente as ruas eram de fácil tráfego. Havia fluidez no trânsito. O curitibano está acostumado a altas velocidades e a pensar que o carro tem superioridade no trânsito com relação as motos e as bicicletas'', afirmou o especialista.
A frota de veículos com pouca inspeção regular também seria de fundamental importância para aumentar a despreocupação do curitibano. ''Se fôssemos fazer uma inspeção nos veículos que trafegam em Curitiba, pelo menos 30% seriam retidos no pátio do Detran'', analisou. Para o desembargador, outro fator que aumenta a violência no trânsito é a chamada ''geração corrupção'' dos anos 80. ''Era muito fácil comprar carteira de habilitação no Detran. As pessoas eram despreparadas e com uma índole questionável, na medida em que não se prestava a exames regulares de habilitação e iniciava sua vida ao volante com uma prática criminosa'', apontou o desembargador.
A falta de educação no trânsito também pode ser vista na medida em que jovens e adolescentes usam com regularidade o carro dos pais ou amigos maiores de idade. ''O automóvel é uma máquina de destruição quando é mal utilizado. Esta violência atinge os jovens quando os pais oferecem os carros para os filhos. O carro se transforma num instrumento de alto risco para o jovem e para terceiros'', acusou.
Para Valeixo, falta ao curitibano uma consciência do papel de responsabilidade no trânsito. ''Temos que deixar de termos um espírito provinciano. Os governos têm responsabilidade, na medida que dão a pena e não fiscalizam a execução das medidas punitivas. O condutor tem que usar a via pública apenas quando estiver submetido às normas de interesse público. Caso contrário, ele tem que ser retirado de circulação.''

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