Não são só as mulheres que buscam beleza a qualquer custo. Os homens quando percebem a queda dos primeiros fios de cabelo, e que podem ficar carecas, também fazem ''de tudo'' para evitar a calvície. Mas tomar remédio por conta própria pode fazer mal à saúde. O alerta é do dermatologista Ricardo Pasello, de Londrina.
Ele explica que a alopecia androgenética, como o próprio nome diz, é uma herança genética herdada do pai ou da mãe. ''Por isso, se o homem tem pai, tio, ou avós calvos, é grande a chance de ele também ser''. A maioria dos casos é em homens, e nos raros casos femininos a perda é mais difusa, deixando o cabelo ralo.
A manifestação da calvície começa cedo, a partir dos 16, 18, com pico aos 35, 40 anos. ''Depois dos 35, a parte hormonal responsável pela queda de cabelo já não é tão forte'', explica o dermatologista. Mas isso não quer dizer que o cabelo vai parar de cair. A queda continua e pode até se acentuar, mas dessa vez por outro motivo, o envelhecimento. ''O envelhecimento faz todas as pessoas, homens e mulheres, perderem cabelo, e isso não é tratável'', avalia. Estatísticas apontam que de 50% a 60% dos homens com idade acima dos 50 anos tem algum grau de calvície.
Um rapaz de 20 anos, por exemplo, que começa a perder cabelo por conta de uma alopecia androgenética em grau leve pode ter o volume de fios reduzido, mas não notar isso, para só vir a perceber uma grande redução no volume com o envelhecimento. Por isso, aponta o médico, o melhor período para tratar essa característica genética é antes dos 40.
Antes é preciso descobrir se a causa é mesmo genética, ou se tem origem em anemia, alterações na tireóide, ou, nas mulheres, em cisto de ovário ou alterações hormonais. ''Feito o diagnóstico clínico, inicia-se o tratamento'', ressalta Pasello.
O objetivo de tratar a alopécia androgenética é postergar a manifestação da calvície. ''Não tem como impedir totalmente, porque, para aquele indivíduo, o normal é não ter cabelo'', explica. O tratamento pode ser feito com substâncias tópicas (aplicadas no cabelo), medicação via oral ou, em casos raros, com injeções aplicadas na testa com substâncias que vão tentar estimular o folículo. Todas essas terapias tem respostas diferentes de indivíduo para indivíduo. ''E nem todos tem resposta'', alerta. Segundo o dermatologista Leandro Neme, de Londrina, entre os medicamentos tópicos podem ser utilizados xampus à base de jaborandi e cisteína, minoxidil, ou ainda alfaestradiol.
O medicamento oral usado para tratar a calvície androgenética é a finasterida, que só deve ser utilizada com orientação médica. Isso porque ainda não há pesquisas científicas que comprovem os efeitos da medicação a longo prazo. Além disso, também existe o perigo de interação medicamentosa. ''A interação pode acontecer com medicamentos para controle da hipertensão, diabetes, ou mesmo uma aspirina'', diz.
O grande problema, alerta Pasello, são aqueles homens que tomam o remédio sem receita médica, em dosagens e por tempo inadequados. Ele conta que já teve casos de pacientes que tomaram o medicamento sem receita por longo tempo, e não havia indicação porque o caso deles não era genético. ''Há muita controvérsia nos congressos médicos, e não existe certeza dos efeitos (da finasterida) no corpo humano, por isso o acompanhamento médico'', afirma Pasello.

mockup